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Basquete 11/12/2014

Agora parceira do NBB, NBA encontra em ginásios brasileiros um ponto fraco

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Foto simbólica de acordo entre LNB e NBA (Luiz Pires/LNB)

Foto simbólica de acordo entre LNB e NBA (Luiz Pires/LNB)

A precariedade da maioria dos ginásios brasileiros é um dos maiores entraves que a NBA vai encontrar na recém-firmada parceria com a Liga Nacional de Basquete, que foi anunciada oficialmente nesta quinta-feira, 11 de dezembro. Os norte-americanos estão acostumados a desenvolver ações promocionais tendo à disposição belos ginásios, nos quais é possível entreter o público e satisfazer os parceiros comerciais. Nos EUA, até mesmo o em que joga o último colocado da Conferência Leste na temporada passada, o Milwaukee Bucks, permite que 18.600 espectadores assistam confortavelmente a uma partida. No Brasil, o principal da maior cidade do país, o do Ibirapuera, fica muito aquém do Harris Bradley Center em todos os aspectos e totalmente cheio representa menos de 60% da casa do lanterna.

O diretor-executivo da NBA no Brasil, Arnon de Mello, disse existirem bons ginásios no Brasil, como o HSBC Arena, no Rio de Janeiro, mas lembrou que o que complica é o fato de não serem de times de basquete – o Flamengo, por exemplo, manda partidas no Tijuca Tênis Clube. “Temos de casar isso melhor e esperar que tenhamos, quem sabe daqui a cinco anos, ginásios de médio porte, de 5 a 9 mil lugares, que deem mais conforto para o público”, afirmou. “Mas muito já foi feito. As quadras, por exemplo, eram um problema, especialmente para quem via jogos pela televisão, por causa das marcações de diferentes modalidades. Hoje em dia cada time tem sua própria quadra de altíssimo nível. Isso já muda a experiência para os que assistem às partidas em casa. Aos que veem lá ainda precisamos melhorar bastante.”

A parceria com a NBA pode ser, de acordo com o presidente da LNB, Cássio Roque, uma peça-chave para essa situação começar a mudar. “Hoje não dá para querer que todo o time que disputa o NBB tenha um ginásio adequado. Mas daqui a alguns anos não sei – acredito que sim. Se essa parceria evoluir da maneira como esperamos, todos os clubes vão ter um ginásio adequado, o que pode gerar muito mais receitas. Os times aqui têm muitas iniciativas de desenvolvimento de ações, mas o espaço físico e a qualidade do ginásio não permitem”, afirmou. “Quando a NBA fez a parceria com nossa liga, ela estava ciente de todos os problemas estruturais dos ginásios.”

A parceria envolve um planejamento estratégico de marketing que alavanque os negócios da LNB. Existe um desejo de crescimento da popularidade do basquete no Brasil. Os norte-americanos terão também de entender como funciona o basquete brasileiro: “Temos uma realidade distinta inclusive na formatação dos clubes: há aqueles que pertencem a prefeituras, aqueles de massa de futebol, aqueles olímpicos [como Pinheiros, Paulistano e Minas] e aqueles montados especificamente para basquete. Esse é outro dificultador. Com o tempo, haverá uma normatização, como existe na NBA. Talvez o modelo de franquias que eles adotam seja o ideal”, declarou Cássio.

Arnon de Mello, diretor-executivo da NBA Brasil (João Pires/ Fotojump)

Arnon de Mello, diretor-executivo da NBA Brasil (João Pires/ Fotojump)

Mas Arnon é cauteloso: “A LNB já é madura, já está estabelecida há alguns anos [desde 2008], e eu tenho certeza de que nós a ajudaremos a crescer. Acreditamos que o basquete tenha muito a oferecer como esporte e como entretenimento para toda a família. Não há regras absolutas que funcionem lá e tenham de funcionar aqui: você tem de entender como é o mercado, como o esporte é jogado aqui, para poder fazer adaptações”.

Segundo o presidente da liga brasileira, “eles enxergaram no Brasil um grande mercado”. O dirigente falou ainda sobre uma característica do basquete brasileiro que guarda similaridades com o norte-americano: “O basquete aqui tem aceitação popular, principalmente em cidades menores, que ‘compram’ o time de basquete, o qual representa aquela comunidade. Em Limeira, por exemplo, a equipe da cidade é a de basquete, não a de futebol”.

Cássio Roque acredita que, com o crescimento do NBB, naturalmente surgirão mais jogadores e os clubes passarão a investir mais nas categorias de base. No entanto, lamenta o fato de as escolas não contribuírem tanto quanto poderiam para o surgimento de novos atletas.

A intenção da LNB é que os times fiquem cada vez menos reféns financeiramente de patrocínio próprio. “Um dos principais objetivos é estruturar os clubes o máximo possível, e essa estruturação passa pela da liga. A NBA é a maior mantenedora de todos os times. No momento em que nós [liga] estivermos estruturados, naturalmente as equipes também vão estar estruturadas. A NBA consegue conservar certas regras rígidas, o equilíbrio do campeonato, pois ela é a que mais ajuda a manter os clubes. O dinheiro vai da liga aos times. Aqui os clubes, cada um a seu modo, consegue seus recursos”, contou Cássio.

Ministério do Esporte

O caminho para a melhoria dos ginásios brasileiros pode passar pelo governo federal. De acordo com o secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, uma ideia para ser colocada em prática a partir de 2015 é a recuperação de um ginásio em cada capital. “E já fizemos alguns projetos individuais. Estamos em Fortaleza, no Ceará, com o ginásio [do Centro de Formação Olímpica] que vai ser o maior brasileiro, com 17,1 mil lugares, e que vai ficar pronto no começo de 2015. Apoiamos com R$ 20 milhões a reforma do Geraldão, no Recife [PE], cujo projeto original é do Ícaro de Castro Mello [o mesmo arquiteto do ginásio do Ibirapuera]. São os primeiros passos.”

Leyser também mencionou planos de revitalização do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, que é da Prefeitura de São Paulo, um dos principais núcleos de formação de atletas do Brasil. A intenção é que, após as possíveis obras, o COTP ganhe novas modalidades.

Esporte Clube Pinheiros

Basquete no Esporte Clube Pinheiros

Basquete no Esporte Clube Pinheiros

O Esporte Clube Pinheiros inaugurou em novembro, com o ATP Challenger Tour Finals como evento de estreia, um ginásio coberto de estrutura metálica. É compatível com eventos com esse de tênis, podendo receber mil pessoas, mas não com maiores. O presidente do clube, Luís Eduardo Dutra Rodrigues, afirmou haver um plano de ser construído um espaço multiuso para esporte e atividades culturais. Com uma arquibancada retrátil, poderia receber 5 mil espectadores. “Temos a intenção de fazê-lo na região do cruzamento entre a Tucumã e a Faria Lima, onde há o nosso salão de festas”, declarou.

Luís Eduardo disse haver ideia de se reformar o principal ginásio pinheirense, que é antigo e com arquibancada só de um lado. Mas o que deve sair antes do papel é a troca da iluminação dele, que é deficiente atualmente.

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