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Análise: paulistano carece de locais para praticar esporte perto de casa

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Prova do Circuito Popular de corrida de rua de São Paulo (Divulgação)

Prova do Circuito Popular de corrida de rua de São Paulo (Divulgação/Seme)

A predominância da ida a pé aos locais de prática esportiva foi um dos dados mais reveladores a respeito dos hábitos esportivos do cidadão paulistano que foram apresentados nesta quinta-feira, 27 de outubro de 2016, pela Seme, a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de SP. Setenta e seis por cento dos 3.065 entrevistados pelo Datafolha dizem não utilizar outros meios de transporte quando saem de casa ou do trabalho em direção ao lugar em que vão se exercitar. O automóvel, com 16%, aparece em segundo lugar (margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos). Muito por causa da falta de tempo e de uma melhor e mais abrangente estrutura esportiva, as ruas, com 52%, são onde o paulistano mais pratica esporte – parques/praças correspondem a 30%.

Quando essas informações são cruzadas com as que tratam dos maiores índices de esporte da cidade, chega-se a indicativos muito relevantes. A subprefeitura com o maior número de praticantes é a de Pinheiros – 87%, 13 pontos percentuais acima da média municipal. É uma região repleta de clubes particulares e da qual fazem parte os parques Villa-Lobos e do Povo. Além disso, para chegar à Cidade Universitária basta cruzar uma ponte.

A vice-liderança da sub de Ermelino Matarazzo (86%), na zona leste, que fica em uma região economicamente e socialmente muito diferente de Pinheiros, pode ser explicada pelo fato de que está entre os núcleos Vila Jacuí (projeto Parque Várzeas do Tietê) e Engenheiro Goulart do Parque Ecológico do Tietê – neste há vários campos de futebol; é ótimo para caminhadas e pedaladas.

Santo Amaro (85%), englobando também os distritos do Campo Belo e do Campo Grande, tem uma “localização estratégica”, já que por um lado não está muito distante do parque do Ibirapuera e, por outro lado, da represa de Guarapiranga. A sub da Sé (84%), quarta colocada, é um capítulo à parte: estão nela os parques da Aclimação, da Luz e Buenos Aires, além do Centro Esportivo Tietê, por exemplo. O distrito de Moema, da sub da Vila Mariana (82%), simplesmente abriga o parque do Ibirapuera. E o da Vila Formosa (82%), da do Aricanduva, o Ceret.

Já na outra ponta, São Mateus (66%), Cidade Tiradentes (66%), no extremo leste, Freguesia do Ó/Brasilândia (65%) e Jaçanã/Tremembé, na zona norte, (65%), estariam “rebaixados” se isso fosse o Campeonato Brasileiro. Apesar de estar próximo ao Tremembé, o Horto Florestal tecnicamente fica no distrito do Mandaqui, que é da sub de Santana. O único parque de relevância dessas quatro localidades é o Vila do Rodeio, na Cidade Tiradentes (o do Carmo é da sub de Itaquera).

Não foi coincidência o fato de os moradores das regiões noroeste (a de Freguesia do Ó/Brasilândia) e extremo leste terem dado as piores notas para os espaços esportivos: 65% das pessoas deram de zero a cinco – a média da cidade foi de 61% nesse quesito.

Cinquenta e seis por cento dos paulistanos que não fazem atividades físicas dizem não terem tempo para elas. Grandes deslocamentos significam gasto de tempo e, como foi mostrado, a maioria das pessoas se exercita perto de casa ou do trabalho.

Caminhada é a prática esportiva mais comum entre os paulistanos (47%); futebol, vice-líder, reunindo futsal e de campo, é jogado por 20%, mesma porcentagem de frequentadores de academias/praticantes de ginástica. A corrida e o ciclismo estão empatados (13%). Quanto mais velha a pessoa, mais a caminhada é a atividade física adotada por ela.

Fatores socioeconômicos também precisam ser muito considerados: 67% dos paulistanos que ganham até dois salários mínimos fazem exercícios físicos; já 85% de quem recebe de cinco a dez os faz. Pessoas com ensino superior concluído (83%) são mais ativas que as com o fundamental (62%).

Em linhas gerais, os paulistanos praticam mais esporte que as paulistanas: 81% a 68%.

Essa pesquisa foi elaborada pelo Datafolha e pela empresa J.Leiva Cultura & Esporte e contou com o apoio da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação e da Unesco.

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