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Apesar de incentivo ao uso diverso do Pacaembu, é ainda ‘refém’ do futebol

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Secretário José de Lorenzo de Messina discursa com Mauro ao fundo (Esportividade)

Secretário José de Lorenzo Messina discursa com Mauro Castro ao fundo (Esportividade)

Justamente na semana em que a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo reuniu a imprensa e a iniciativa privada para uma explanação sobre outros usos do complexo, ficou claro como as empresas que queiram realizar eventos lá durante a temporada regular do futebol não conseguem ter certeza absoluta de que vão poder mesmo acontecer como originalmente foram planejados. Haveria etapas da Bravus, uma corrida de obstáculos, no sábado à noite (25 de junho de 2016) e na manhã de domingo (26), mas o fato de o Santos ter pedido transferência do clássico contra o São Paulo para lá fez ambas as provas pedestres ficarem para sábado. Há atletas que disputariam a corrida no domingo que não vão poder correr no sábado.

Segundo o diretor do Pacaembu, Mauro Castro, a secretaria fica de mãos atadas quando é pedido o uso do Pacaembu por um time de futebol. “Você não tem muito como rejeitar isso, porque os estádios de futebol, no começo do ano, se dão para CBF e FPF, colocam-se à disposição”, disse para o guia Esportividade. “Se o jogo for marcado, não tem como não o fazer. Se você negar a partida, irá contra a disponibilização que você fez no começo do ano.”

“Nós soubemos [no dia 17 de junho] quando o Santos nos ligou informando que passaria esse clássico para cá”, afirmou. “Só tivemos o poder de dizer o seguinte: ‘ahn?’. Mas o jogo é extremamente importante e o motivo número um do estádio é esse. A cada oito dias houve uma partida aqui [em média] a partir do início da temporada 2016.”

Participante da Bravus sobe arquibancada do Pacaembu com saco (Norte MKT)

Participante da Bravus sobe arquibancada do Pacaembu com saco (Norte MKT)

Coube à secretaria tentar minimizar o problema gerado à Bravus Race a partir do momento da notificação. “Foi desgastante, mas fizemos questão de tentar dar a maior cobertura possível para a Cooper e a Norte Marketing Esportivo”, declarou Mauro. “E, nessa relação amistosa que temos com os organizadores de corrida, eles têm a consciência de que isso pode acontecer em estádios de futebol.”

Apesar da possibilidade de um evento ter de ser remarcado ou cancelado por causa de um jogo de futebol durante a temporada, a prefeitura espera que a iniciativa privada perceba o potencial do complexo esportivo do Pacaembu. “Vamos ativar mais o Pacaembu”, declarou o secretário de Esportes, Lazer e Recreação José de Lorenzo Messina. “Esse patrimônio custa para cidade de São Paulo de R$ 7 a 9 milhões por ano. É o custo de serem mantidos 138 funcionários, do próprio estádio e terceirizados.”

Piscina olímpica aquecida do complexo esportivo do Pacaembu (Esportividade)

Piscina olímpica aquecida do complexo esportivo do Pacaembu (Esportividade)

Na apresentação, Messina ressaltou a história do estádio, que completou 76 anos em abril, e como a maior parte dos paulistanos não conhece a piscina olímpica aquecida recém-reformada (com arquibancada), as quadras de tênis (uma coberta de saibro e outra dura descoberta, ambas com arquibancada) e o ginásio poliesportivo.

No salão nobre, o qual fica sobre a rua Desembargador Paulo Passaláqua, o secretário tentou estimular as empresas a considerar o Pacaembu um local de realização de eventos corporativos, como lançamento de produtos e jantares, e apresentou a tabela de preços da locação. Também destacou que qualquer cidadão pode fazer as aulas das modalidades esportivas lá oferecidas se associando gratuitamente ao centro esportivo.

Os organizadores de eventos não futebolísticos só respiram de forma aliviada nove dias antes do evento, já que a CBF pede que uma alteração de local de jogo seja feita pelo menos dez dias antes da partida. De acordo com Mauro Castro, de nove a 11 partidas vão ser realizadas lá no segundo semestre de 2016. Como o estádio de Itaquera será cedido ao Comitê Organizador Rio-2016, o Corinthians exercerá mando de campo no Paca um pouco antes da Olimpíada e durante ela.

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