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Atletas conhecem lado ‘selvagem’ de Interlagos em corrida de obstáculos

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Barreira de pneus é superada por atletas da Iron Race (Patricia Gomes/Esportividade)

Barreira de pneus é superada por atletas da Iron Race (Patricia Gomes/Esportividade)

Pelo autódromo de Interlagos a maioria dos grandes pilotos da história do automobilismo já passou. Em 1952, ano do quinto Grande Prêmio Cidade de São Paulo, até o argentino Juan Manuel Fangio correu no circuito paulistano, que foi inaugurado em 1940, recebeu a Fórmula 1 pela primeira vez em 1972 e, desde 1990, é, sem exceção, a casa do Grande Prêmio do Brasil. Toda essa história, no entanto, é vagamente lembrada quando se disputa uma corrida de obstáculos lá.

Cerca de 450 corredores reuniram-se na região interna do autódromo em uma fria manhã 9 de julho, quinta-feira de feriado estadual, mas não para correr de automóvel lá. Na Iron Race, corrida de obstáculos militarizados, o atleta dependia totalmente de si mesmo para superar os desafios propostos pela organização do evento e o cansaço para, ao fim dos 5 km, poder receber uma medalha de participação.

Largada da quarta bateria da Iron Race em Interlagos (Esportividade)

Largada da terceira bateria da Iron Race em Interlagos (Esportividade)

Uma sequência de “chicanes” (ou “esses”) no estacionamento interno do autódromo marcava o primeiro trecho da prova. Comparada com o que viria a seguir, essa parte era sossegada. Subida de escadão de metal, carregamento de saco pesado e salto sobre portão eram alguns dos obstáculos anteriores ao grande momento para os fãs de automobilismo: a passagem por um trecho do circuito principal, a Descida do Lago, mas percorrida como subida. Essa era a hora em que os atletas pensavam em esporte a motor, nas glórias automobilísticas do passado e se sentiam realmente em Interlagos.

A partir daí, a sensação de estar em Interlagos praticamente desaparecia, uma vez que no trecho chamado de “charco” pela Iron Race, paralelo à Reta Oposta, o atleta só via terra, lama e vegetação. Ficavam lá os obstáculos que sujavam mais os participantes, como uma travessia sob rede em que o atleta deveria avançar sentado e de costas, dando impulso com as mãos. Famoso rastejamento sob arame farpado também estava localizado nessa região.

Sujos e cansados, os participantes dirigiam-se novamente ao estacionamento interno do autódromo, onde passaram por barreira de pneus e tiveram de carregar mochila pesada e, em seguida, puxá-la de volta à origem por meio de uma corda. O último obstáculo era subida e descida de morro artificial de terra, de onde o pórtico de chegada era visto.

O que mais impressionou foi o uso do autódromo como espaço poliesportivo. Na maior parte da prova o atleta nem sequer se lembrava de onde estava, pois a corrida em si ocupava toda a sua mente. Saber qual era o obstáculo seguinte era mais relevante naquele momento que se lembrar das duas vitórias de Ayrton Senna ali.

Mas, ao fim do evento, era inevitável voltar a pensar em automobilismo, já que os atletas voltaram a pé ao estacionamento do portão 7 e, consequentemente, avistaram toda aquela lendária pista. Puderam dizer aos amigos que correram em Interlagos, que, porém, mal parecia Interlagos como o conhecemos. Um novo autódromo havia sido descoberto por eles.

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