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Tênis 16/02/2015

Brasil Open-15: público esperava mais de favoritos, mas aplaude os finalistas

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Pablo Cuevas vibra com título do Brasil Open-2015 (Daniel Vorley)

Pablo Cuevas vibra com título do Brasil Open-2015 (Daniel Vorley)

Os espectadores do Brasil Open de 2015 acreditam não terem visto o melhor tênis dos favoritos no torneio paulistano. O campeão, que foi o uruguaio Pablo Cuevas, era entre os participantes o quarto mais bem posicionado no ranking da ATP antes de o evento começar. O vice-campeão, o italiano Luca Vanni, foi a grande surpresa da competição e ainda está fora do top 100. O público, porém, assistiu a uma grande final.

O calendário afetou diretamente o Brasil Open. Foi disputado uma semana antes do Rio Open, um torneio que rende ao campeão 500 pontos – contra 250 do evento de São Paulo. O espanhol Rafael Nadal foi campeão do Brasil Open de 2013, mas, assim como em 2014, vai competir no evento carioca, considerado de maior porte.

O espanhol Tommy Robredo, o italiano Fabio Fognini e o argentino Leonardo Mayer eram justamente os três participantes do Brasil Open-2015 mais bem ranqueados, mas nem sequer chegaram às semifinais. Estarão no Rio Open com Nadal e David Ferrer a partir desta segunda-feira, 16 de fevereiro.

Pablo Cuevas na final do Brasil Open-2015 (Marcello Zambrana)

Pablo Cuevas na final do Brasil Open-2015 (Marcello Zambrana)

Para a torcida, eles não foram ao limite em SP. “Utilizam o Brasil Open como uma espécie de preparação para começar a temporada [do saibro]. É mais ou menos uma pré-temporada de luxo”, disse Rogério Barbosa, consultor de informática. “Eles se preparam para a temporada de acordo com o calendário. Se eles derem o máximo deles aqui não vão aguentar jogar na temperatura de lá.” Os torneios sul-americanos de fevereiro representam os primeiros da temporada do ATP World Tour jogados no saibro.

“Se não tivéssemos o Rio Open na semana seguinte, teríamos um Brasil Open disputado com mais vontade. Os tenistas que disputam os dois vão dar sempre o melhor de si no torneio de 500”, opinou ainda Rogério.

Torcedora com bandeira uruguaia no ginásio do Ibirapuera (Daniel Vorley)

Torcedora com bandeira uruguaia no ginásio do Ibirapuera (Daniel Vorley)

Allan Pelosi concorda: “Os principais jogadores dão mais foco no Rio Open, cuja premiação é maior. Não se empenharam tanto quanto vão se empenhar no Rio”. Quem se dá bem no Brasil Open, de acordo com o empresário, é quem valoriza o torneio paulistano. “Para o Cuevas é importante ganhar um ATP 250; outros almejam um ATP 500”, afirmou ele, que foi de Goiânia a São Paulo especialmente para assistir ao torneio pelo segundo ano consecutivo. Questionado se foi bom para ele ser fim de semana de Carnaval, respondeu: “Atrapalhou porque a mulher ficou brava em casa. O fato de ser Carnaval passa para a esposa a impressão de que depois do jogo vamos para a balada, o que não é verdade”.

O coordenador de TI Bruno Galera preferiu valorizar os finalistas e não desmerecer quem ficou pelo caminho: “Você precisa dar mérito aos que chegaram às decisões”. A namorada dele, a coordenadora de eventos Kátia Rachid, acredita que o evento poderia ter sido mais divulgado: “Conhecemos pessoas que queriam estar aqui, mas falta um pouco mais de divulgação. A do Carnaval é massiva e a do Brasil Open de 2015 ficou um pouco apagada”. Em nenhum dos dias do torneio o ginásio do Ibirapuera ficou cheio. Embora neste ano os preços estivessem mais baixos que os de 2014 e fosse possível assistir às decisões de duplas e simples por R$ 70 (valor inteiro), no domingo o público era apenas razoável – cabiam 9 mil pessoas lá.

Visão geral do ginásio do Ibirapuera (Marcello Zambrana)

Visão geral do ginásio do Ibirapuera (Marcello Zambrana)

O uruguaio Pablo Cuevas, 29 anos, é um tenista em ascensão que, com o título do Brasil Open – seu terceiro individual no ATP World Tour –, chegou à melhor posição da carreira no ranking da ATP: a 23ª. A vitória em São Paulo foi muito significativa. A 23ª colocação é a melhor de um uruguaio na história.

Luca Vanni na final do Brasil Open-2015 (Marcello Zambrana)

Luca Vanni na final do Brasil Open-2015 (Marcello Zambrana)

Para Luca Vanni, italiano de 29 anos até então desconhecido do grande público, o Brasil Open foi ainda mais especial: antes da competição paulistana nunca havia vencido um jogo de chave principal de um torneio do ATP World Tour. Passou pelo qualifying no Ibirapuera e deu sorte: com a desistência de Feliciano López, foi posicionado como se fosse o cabeça de chave número um do torneio. Antes do Brasil Open-15 nunca havia dado coletivas de imprensa. Insatisfeito com sua raquete, comprou algumas na loja do evento. E com elas jogou muito bem e até teve a chance de sacar para fechar a partida, mas não conseguiu confirmar o serviço. Virou o “queridinho” dos jornalistas, que até lhe ofereceram pudim ao fim da coletiva de domingo, 15 de fevereiro. Foi ele quem eliminou o brasileiro João Souza, o Feijão, no sábado. Só se profissionalizou em 2006, aos 21 anos.

Outros sul-americanos obtiveram o título de duplas: os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah, que bateram na final o italiano Paolo Lorenzi e o argentino Diego Schwartzman. E Lorenzi foi vice-campeão do Brasil Open também em 2014, mas do torneio individual, em que foi superado na final pelo argentino Federico Delbonis em outra final sem estrelas.

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