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Vôlei 13/04/2015

‘Combustível’ da torcida osasquense é mais tradicional que final contra o Rio

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Maria Leite após Molico/Osasco x Sesi-SP de 10 de abril de 2015 (Esportividade)

Maria Leite após Molico/Osasco x Sesi-SP de 10 de abril de 2015 (Esportividade)

Só há algo mais clássico que Rio x Osasco na final da Superliga feminina de vôlei: o cachorro-quente da dona Maria Leite vendido diante do José Liberatti, em Osasco. Muito antes de o confronto começar a se repetir – na temporada 2004/2005 – a vendedora já trabalhava na porta do ginásio osasquense, que naquela época era a casa da equipe patrocinada pelo Bradesco. O tempo passou, a instituição financeira encerrou – em 2009 – as atividades da equipe adulta feminina e a Nestlé chegou. Mudaram-se as cores, os patrocinadores e as marcas, mas a dona Maria ficou. E, aos 73 anos, lucrou na noite de sexta-feira passada, 10 de abril, quando a torcida lotou o José Liberatti e viu a classificação do time para mais uma decisão contra o Rexona-Ades.

O trabalho de Maria só foi encerrado depois da meia-noite, pois o jogo começou às 22h10. Somente será retomado no segundo semestre, pois a decisão será disputada no Rio de Janeiro em 26 de abril de 2015. “Quando a temporada acaba a gente fica triste, mas o que a gente vai fazer? Temos de trabalhar todos os dias ao lado do hospital regional [no mesmo bairro]”, disse ela, que lá vende cachorros-quentes das 9h às 19h.

Torcedor vibra em jogo contra Sesi-SP em Osasco (João Neto/Fotojump)

Torcedor vibra em jogo contra Sesi-SP em Osasco (João Neto/Fotojump)

Na sexta-feira, dia de clássico paulista entre Molico e Sesi-SP, a comerciante chegou à porta do Liberatti às 15h. E disse que já havia fila desde as 10h diante do ginásio. “Foi maravilhoso [o dia], ótimo. Só tenho de agradecer a Deus. E meu cachorro-quente é bom. Todo mundo gosta dele”, afirmou.

Dona Maria, que recebe o auxílio do irmão quando ele pode, vende um cachorro-quente completo por R$ 4: “Deus é muito bom para nós. Quem não ganha dinheiro é quem não quer. Existe lugar que não faz a metade do que faço. Você não precisa ser ambicioso. Dando para sobreviver, pagar minhas contas, para mim está ótimo. Não necessito de mais nada”.

José Liberatti ficou lotado em dia de clássico paulista (João Neto/Fotojump)

José Liberatti ficou lotado em dia de clássico paulista (João Neto/Fotojump)

Elogiou “o pessoal do ginásio” – “pessoas muito boas” –, mas avisou: “Mas você tem de trabalhar direito. Não pode entrar latinha e não as vendemos. Todo mundo tem suas regras”.

Depois de uma sexta-feira de vitória do Molico/Osasco por 3 sets a 0 sobre o Sesi-SP, dona Maria descansaria no sábado e trabalharia perto do hospital no domingo. “Precisamos [no sábado] colocar as coisas em dia, lavar os carrinhos, limpar tudo”, contou.

Equipe do Molico/Osasco comemora classificação à final (João Neto/Fotojump)

Equipe do Molico/Osasco comemora classificação à final (João Neto/Fotojump)

Pela décima vez em 11 temporadas, a final da Superliga feminina será entre Rio e Osasco. A dona Maria também faz parte disso. O cachorro-quente dela é um “porto seguro” desde 1996 e o “combustível” de quem vai o ginásio do Osasco torcer pelo time da casa. A tradição está mantida.

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