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Corrida de obstáculos noturna mostra que camaradagem ainda tem espaço

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Nesse obstáculo, atletas escalavam por um lado e desciam por outro (Adventuremag)

Nesse obstáculo, atletas escalavam rede por um lado e desciam por outro (Adventuremag)

Manhã de 12 de junho de 2016, domingo. Saí de casa antes das 6h, com menos de 10ºC, para disputar uma prova beneficiaria um instituto com um belo trabalho. Metros antes do pórtico de largada da Corrida Contra o Câncer de Mama, na região do parque do Ibirapuera, um atleta fez um zigue-zague desnecessário, tentando ultrapassar antes mesmo de a prova ter início para ele, e acertou minha mão direita, a qual estava pronta para acionar o start do aplicativo de corrida, o que fez o celular ir para o chão e quase se perder na multidão. Noite de 18 de junho de 2016, sábado. Fui em direção a Itupeva, a quase 80 km da minha casa, para ser desafiado por uma corrida com apoio de um batalhão da Polícia Militar. Causou-me surpresa: participantes da Iron Race trocaram a competitividade pela camaradagem e, em vez de buscarem o melhor desempenho, se ajudaram no meio do mato e à noite, pouco importando se isso fosse lhe ocasionar um acréscimo de tempo.

Situações tão distintas vividas na mesma semana. Obviamente, na Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama havia muita gente solidária que, em caso de necessidade, ajudaria outro atleta. Não há como ignorar, porém, o clima de coleguismo da etapa noturna da Iron Race, de obstáculos.

Desde a largada o ambiente era diferente dos das corridas de rua tradicionais. Carregava comigo três fontes de iluminação: uma no braço, outra no pé direito e outra nas mãos – uma lanterna bem simples alimentada por um dínamo. Os colegas de bateria começaram a me dizer de forma descontraída: já que eles não levavam consigo iluminação alguma, eu seria o guia deles. O problema é que eles aparentavam ser mais velozes que eu…

Nos primeiros trechos, no sobe e desce da pista de off-road, tudo parecia estar sob controle. Deu até a impressão de que seria uma prova totalmente solitária. No entanto, foi no lago que tudo começou a mudar. Os participantes o cruzavam com a ajuda de cordas, nas quais se apoiavam. Tecnicamente não era um obstáculo de grande dificuldade, mas o fato de a água estar bem gelada era um grande complicador. Foi lá que minhas fontes de luz pararam de funcionar. A partir daí, tive de contar com a colaboração dos colegas que usavam as de cabeça.

Nas trilhas em meio a uma mata fechada, já sem iluminação própria, não era possível correr: uma fila indiana formou-se lá, mas era por um bom motivo. Os atletas avisavam uns aos outros sobre dificuldades futuras do percurso, como galhos e arames farpados. A colaboração de desconhecidos era imprescindível nessas horas.

Quando saímos da mata fechada, “perdi” o pelotão. A lua quase cheia foi a maior amiga nesse momento – uma vez que a solidão, a qual lhe coloca “em outra dimensão”, havia chegado. Os “zumbis”, pessoas fantasiadas das quais o atleta tinha de fugir, dando-lhes fintas, apareceram. Carregamento de saco pesado era um dos obstáculos desse trecho da prova. Foi no salto sobre um paredão que tive de pagar minhas primeiras 20 flexões por não ter conseguido ser bem-sucedido.

No retorno à mata, o coleguismo novamente predominou. Na descida de barranco com a ajuda de corda, formou-se certo congestionamento, mas ninguém estava com tanta pressa: houve respeito à vez do colega.

De novo a solidão voltou à tona, mas já era possível avistar os carros da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), que apoia evento, estacionados perto do pórtico. Muitos obstáculos, como os de rastejamento e escalada, ainda separavam os atletas da linha de chegada.

A essa altura da corrida, as noções de tempo e distância estavam perdidas. Já não conseguia saber o horário e quanto dos mais de 5 km havia percorrido. Quando voltei a escutar a banda percebi que o fim estava próximo. Cheio de lama eu estava, mas com a alma lavada.

Confira uma galeria de fotos da Iron Race no Adventuremag (clique aqui). Vale ressaltar que, à tarde, houve uma versão infantil da prova lá mesmo.

Assista ao vídeo do Mania de Corrida para ver mais sobre a prova:

Comentários


  • Re disse:

    Experiência fora de qualquer lugar-comum.

  • SPIDERNANDA disse:

    Não é uma corrida…é um encontro da família mais louca do mundo…bem vindo a familia #caveira…Iron rota

  • TutuRenk disse:

    Boa noite!
    Muito bacana sua matéria sobre a prova, e a mais bacana ainda como descreveu a sensação que acho que a maioria, se não todos, sentiram nesta prova: companheirismo, vibração, espirito esportivo sem deixar de ser solidário com o companheiro ao lado, vibração ( muita vibração), e acho que a maior sensação de todas – TODOS FOMOS VENCEDORES.

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