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Basquete 06/10/2013

Derrota do Pinheiros para time grego expõe problema da falta de rotação

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Paulinho tenta dominar bola contra o Olympiacos (Samuel Vélez)

Paulinho tenta dominar bola contra o Olympiacos (Samuel Vélez)

Um aspecto sobressaiu nas análises de treinadores e jogadores sobre a nova derrota do Pinheiros para o Olympiacos neste domingo, 6 de outubro, na segunda e última partida da Copa Intercontinental de 2013 no ginásio José Corrêa, em Barueri. Os técnicos de ambas as equipes e Shamell, cestinha do jogo, com 27 pontos, disseram que um problema pinheirense é a baixa rotação de jogadores durante o confronto.

O norte-americano Shamell, principal jogador do Pinheiros, que em ambos os duelos o foi cestinha, permaneceu em quadra por 38 dos 40 minutos. Rafael Mineiro (31 min), Jonathan (29 min) Joe Smith (27 min) e Paulinho (23 min) foram os outros pinheirenses que disputaram mais de meio jogo. Houve quatro dos 12 jogadores que não chegaram sequer aos quatro minutos – um deles nem jogou.

Spanoulis durante segundo jogo contra o Pinheiros (Samuel Vélez)

Spanoulis durante segundo jogo contra o Pinheiros (Samuel Vélez)

Já o Olympiacos utilizou todos os seus jogadores por, no mínimo, nove minutos. “Eles têm 12 jogadores do mesmo nível”, analisou Shamell, que fala português fluentemente, após derrota de 86 a 69. “O ritmo e a agressividade da equipe não caem. Mostraram para nós o que o basquete brasileiro precisa fazer para chegar onde eles estão. Aprendemos como jogar um basquete melhor.”

“Joguei por 38 minutos. É muito tempo. Já eles trocam muito a equipe. O jogador deles que mais jogou atuou por 26. É difícil manter o ritmo jogando 38, 40. Aqui no Brasil não usamos muito banco desse jeito. O nível dos jogadores de banco deles não cai. Tem a mesma qualidade, o mesmo ritmo de jogo, a mesma agressividade. Falta um pouco isso para nós. Quando um Spanoulis sai, talvez o substituto dele não tenha a mesma habilidade individual, mas o jeito de jogar não muda. Continuam a jogar do mesmo jeito. Aqui jogamos com sete jogadores.”

O treinador do Olympiacos, Georgios Bartzokas, não vê uma distância enorme entre as equipes, mas aponta o mesmo problema de falta de rotação: “O Pinheiros tem um jogo muito organizado, metódico e muito bem trabalhado pela tática do treinador. A diferença foi o peso do banco. O Pinheiros deixa sete jogadores atuando durante muito tempo. O time que troca mais acaba por ter vantagem. Vi no aquecimento dois jovens altos que são fantásticos. Com o trabalho certo eles poderão jogar basquete em alto nível”.

Campeão da Copa Intercontinental em 1979 treinando o Sírio, Claudio Mortari, técnico do Pinheiros, disse o que o basquete brasileiro deveria fazer para melhorar. “Para nível internacional, teríamos de ter algumas características, como uma defesa muito mais agressiva, uma rotação maior. São detalhes que precisamos colocar em prática”, afirmou ele, que ainda notou ineficiência de alguns jogadores, mas sem mencionar nomes: “Com o tipo de jogo de hoje, deu para ver a dificuldade de alguns jogadores que brilham internamente, mas que não têm a mesma desenvoltura quando o jogo requer outras condições”.

O técnico brasileiro lamentou a base fraca do basquete brasileiro na atualidade: “Precisamos fortalecê-la. Fomos muito mal no Mundial sub-19, então não temos sustentação”.

No entanto, Mortari afirmou que sai do José Corrêa contente com a postura da equipe pinheirense. “Saio absolutamente feliz dessa competição por aquilo que demonstramos, que tivemos como ousadia, por nossa determinação. Não nos inibimos, não nos acovardamos. Jogamos dentro de nossa capacidade. Apesar de nosso número reduzido de trocas, pedimos aos atletas que atingissem seu patamar de produtividade, chegassem perto de seu limite, e acho que conseguimos isso”, declarou.

Mortari ainda enalteceu o time grego. “Temos de louvar a equipe do Olympiacos, que reúne uma série de méritos. Nós perdemos pelas virtudes deles. Vencer duas competições europeias não é algo simples.”

Torcida

Ginásio José Corrêa no segundo Pinheiros x Olympiacos (Samuel Vélez)

Ginásio José Corrêa no segundo Pinheiros x Olympiacos (Samuel Vélez)

Cerca de 3.500 pessoas foram ao ginásio José Corrêa neste domingo. A capacidade do lugar, segundo o guia distribuído à imprensa, é de 5 mil espectadores.

Novamente a torcida formada por gregos e descendentes, agora em maior número, vibrou com o Olympiacos. Havia bandeiras, camisas especiais para a ocasião e até quem estivesse com o rosto pintado de azul e branco. Quando o time grego confirmou o título, os torcedores cantaram: “É campeão”. Em vários momentos a torcida do Olympiacos fez mais barulho do que a do Pinheiros, que era maioria.

Torcida do Olympiacos em Barueri (Samuel Vélez)

Torcida do Olympiacos em Barueri (Samuel Vélez)

Os espectadores tiveram uma manhã de domingo tranquila em Barueri. Havia a necessidade de se levar impresso o comprovante da reserva de ingresso feita gratuitamente pela internet. Bastava apresentar o papel nas bilheterias, retirar o ingresso e entrar no ginásio. Tudo isso foi feito sem percalços.

Mas a torcida viu o Pinheiros em dificuldade. “O time do Pinheiros está muito devagar, perde muitas bolas bobas. O Olympiacos parace que está em treino aqui: joga facilmente. Nenhuma chance de perderem”, disse Luciano Milano, gerente financeiro, morador de Alphaville, no intervalo entre o segundo e o terceiro quartos.

Ao fim do jogo, Carlos Andrade, que é professor de educação física, comentou: “O Olympiacos jogou demais, movimentou muito a bola. O Pinheiros não conseguiu acompanhar o ritmo dos caras e respeitou demais o adversário: deveria ter sido mais ousado. Certo é que é outro nível de basquete. Existe uma grande diferença de investimento.” O morador de Suzano aprovou o evento em si. “Fiquei sabendo por meio de rede social. Não sei se mais para o centro de São Paulo teria mais resposta do público. Mas para quem gosta de basquete foi uma ótima oportunidade para domingo”, disse.

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