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Vôlei 19/04/2014

Em jogo histórico, Sesi-SP mostra união para superar Molico/Osasco

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Vibração do Sesi-SP (Alexandre Arruda/CBV)

Vibração do Sesi-SP (Alexandre Arruda/CBV)

Desde as primeiras horas da manhã já se percebia na rua Carlos Weber, na Vila Leopoldina, em São Paulo, que se tratava de um sábado diferente. Já em torno das 6h uma fila começou a ser formada diante do Sesi, onde a equipe feminina de vôlei da casa tentaria uma inédita classificação para a final da Superliga, principal campeonato nacional da modalidade. O adversário seria o Molico/Osasco, seu maior rival na atualidade. Já às 8h30, 1h30 antes do início da partida, havia aproximadamente 250 metros de fila de torcedores. A espera dos espectadores na rua valeu a pena: em um emocionante jogo de cinco sets, o Sesi-SP conseguiu a tão sonhada classificação e impediu que o Osasco fosse à sua 13ª decisão consecutiva.

O grito da torcida do Sesi ao fim do jogo, “Um, dois, três, Osasco é freguês”, não retrata muito bem a realidade, mas mostra o quão grande se tornou a rivalidade entre as equipes. O Osasco levou a melhor sobre o Sesi nas finais do Campeonato Paulista de 2013 e da Copa Brasil de 2014. O Sesi derrotou as osasquenses na decisão do Sul-Americano e as eliminou desta Superliga. Ambas as equipes poderão se reencontrar no Mundial do mês que vem.

A primeira demonstração de que se tratava de um jogo bastante especial, até mais que o primeiro da série, no José Liberatti, foi o quarto set. O Sesi havia sido derrotado no anterior por 21 a 8, o que fez o Osasco ter 2 a 1 no placar e poder adiar a definição do finalista até terça-feira (22 de abril). As jogadoras da equipe paulistana, no entanto, mostraram-se concentradas, protagonizaram uma virada (22 a 20) e forçaram a realização do quinto set. No set final o Sesi novamente cresceu nos momentos decisivos, salvou mais match points, fez 17 a 15 e levou a classificação.

Jogadoras do Sesi-SP vibram após classificação (Alexandre Arruda/CBV)

Jogadoras do Sesi-SP vibram após classificação (Alexandre Arruda/CBV)

A torcida do Sesi, que não costuma ser tão vibrante quanto a do Osasco — esta também presente na Vila Leopoldina —, acompanhou a vibração das jogadoras, que comemoraram com um título a vaga. O momento era histórico também pelo fato de que a ida do Sesi à final impediu que houvesse a décima decisão seguida entre Osasco e Rio de Janeiro (Unilever). A Vila Leopoldina teve um sábado ensolarado como poucos.

A final da Superliga feminina 2013/2014 entre Unilever e Sesi-SP ocorrerá no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, a partir das 10h de 27 de abril, domingo.

Não desista dela

As entrevistas ao fim do jogo revelaram uma união que não fica tão clara para quem apenas assiste às partidas de longe. A levantadora do Sesi-SP Dani Lins e a central Fabiana ajudaram Ivna, que atua na posição de oposto, a se encontrar na partida a partir do quarto set.

Dani Lins emocionada (Alexandre Arruda/CBV)

Dani Lins emocionada (Alexandre Arruda/CBV)

“Tenho a Ivna e a Fabi como minha segurança”, afirmou Dani, que valorizou o fato de o time ter “jogado com alegria”. “É difícil para qualquer levantadora jogar ‘sem oposto’, esta que é uma jogadora que sempre está sozinha no bloqueio, sempre dá porrada. A Ivna é muito raçuda e ‘ogra’; é complicado vê-la jogando mal. Eu disse à Fabiana que precisaria colocar a Ivna no jogo. E ela disse: ‘Dani, vamos colocá-la agora’. E depois: ‘Não põe para mim agora, deixe para ela’. Não existe egoismo [na equipe].”

Ivna disse ser grata por atitudes como essa. “O Talmo [de Oliveira, treinador] confia muito em mim, o time me dá essa confiança. A Fabi e a Dani confiam bastante em mim também. Tenho de agradecer ao time inteiro. A Dani poderia ter dito: ‘Não vou mais colocar bola para ela, pois ela não está virando, e vou tentar fazer outra coisa’. Ela olhava para mim e me dizia: ‘É para você’. Batia em minha mão o tempo todo. É uma pessoa que levarei para minha vida inteira”, contou.

Fabiana e Dani Lins no bloqueio (Alexandre Arruda/CBV)

Fabiana e Dani Lins no bloqueio (Alexandre Arruda/CBV)

A central Fabiana, maior pontuadora do Sesi-SP (16), celebrou a classificação à final: “Pelas dificuldades que tivemos ao longo de todo o campeonato [principalmente no primeiro turno], temos mesmo de comemorar por estarmos em uma final. Sei que ainda haverá mais um jogo, mas por tudo isso já valeu a pena, é um presente para o time todo. Sobressaíram a união, a fé, o fato de o time ter acreditado [em si] em todos os momentos, mesmo nos de dificuldades. Sabíamos que a outra equipe era forte, então tinhamos de ter cabeça. Nos momentos difíceis tivemos cabeça e tranquilidade de ir para cima. Em nenum momento pensamos que o jogo estava perdido. Graças a Deus, estamos na história. Muita gente não acreditou em nós”.

O treinador Talmo mencionou a melhora de Ivna no quarto set. “Jogamos os outros três sets tudo do meio para a frente. Com um time com um saque muito forte, fomos colocados em xeque o tempo todo. Valeu por tudo, pela entrada de várias jogadoras”, declarou ele. O técnico novamente mexeu muito bem na equipe ao longo do jogo, como quando fez a inversão que promoveu a entrada de Mari Cassemiro e a da experiente levantadora Carol Albuquerque.

Suelle, do Sesi-SP, ataca (Alexandre Arruda/CBV)

Suelle, do Sesi-SP, ataca (Alexandre Arruda/CBV)

Embora Sheilla, cuja posição é a mesma de Ivna, tenha feito bom jogo e sido a maior pontuadora (com 25), o Molico/Osasco permitiu reação do Sesi-SP em momentos em que poderia ter definido o confronto. “Não podemos dizer que hoje não era o dia. Temos de assumir nossas responsabilidades”, disse o treinador Luizomar de Moura. “Não podemos não dar os parabéns ao Sesi e acreditar em azar por não termos fechado o jogo. Aqui jogamos bem, mas não soubemos vencer a partida. Ficaremos com essa medalha de bronze.”

O Molico/Osasco chegou a ter 28 jogos de invencibilidade nesta Superliga e no 29ª e 30ª jogos foi derrotado pelo Sesi.

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