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Futebol 09/09/2014

Ministro diz ainda não saber qual é o melhor modelo para o futebol feminino

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Centro Olímpico, primeiro campeão brasileiro, recebe troféu de Rebelo em 2013 (COTP)

Centro Olímpico, primeiro campeão brasileiro, recebe troféu de Rebelo em 2013 (COTP)

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse ainda haver dúvidas sobre como fomentar o futebol feminino no Brasil. Durante a apresentação da segunda edição do Campeonato Brasileiro feminino, ficou claro que uma competição assim é importante, mas está longe de resolver o sério problema da falta de profissionalização, o que baixa o nível da modalidade e enfraquece o país em competições internacionais. Muitas meninas precisam exercer outras atividades além da futebolística.

Uma alternativa, segundo o ministro, seria incentivar mais o futebol para garotas em idade escolar nos próprios colégios, mas essa ideia esbarra na falta de estrutura esportiva nas escolas. “Precisamos encontrar um modelo que se ponha de pé e tenha sustentabilidade. Para mim não está claro se é pelos clubes, pelas universidades ou escolas. O problema das escolas é que temos limitações de espaço; a maioria delas nem sequer tem quadra, quanto mais campo de futebol. Talvez prospere mais o futsal nas escolas”, disse.

Se os clubes fossem os escolhidos para o fomento, poderia haver uma ajuda da Caixa, patrocinadora do Brasileiro-14 feminino. “O Toninho [Nascimento, Secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor] tem ideia de discutir com a Caixa a possibilidade de eles exigirem dos clubes que são patrocinados pela empresa inclusão do futebol feminino como parte do contrato de patrocínio”, contou o ministro.

Rebelo mencinou a recente derrota por 5 a 1 para a Alemanha. ”Precisamos ter competições. Não podemos enviar um grupo de garotas para disputar o Mundial sub-20 no Canadá quando elas nem sequer reuniram as condições atléticas para uma disputa dessas. Tanto que no primeiro tempo estava 1 a 0 para elas, que enfrentaram adversárias que têm atividades mais regulares. Nós necessitamos ter competições regulares e permanentes nas divisões de base. Daí se revelam as atletas. Não temos ainda esse modelo. No Paraguai, eles resolveram a situação levando o futebol para as escolas e para as universidades”, declarou.

Tonhinho Nascimento fala em “realidade horrorosa” por causa da falta de profissionalização. “Era difícil você profissionalizar uma modalidade em que as atletas jogam quatro meses. Daí você assina a carteira de trabalho por quatro meses; e os outros oito? Estudamos como fazer”, afirmou o secretário, que lembrou que, se houver contrato temporário, também será necessário registro em carteira, por exemplo.

O treinador da seleção feminina, Oswaldo Alvarez, espera que, havendo mais times e campeonatos, a situação melhore. “Deveríamos jogar mais futebol feminino. Que as escolas, as universidades, os prefeitos e os governadores motivem suas cidades a isso. Grandes exemplos são Araraquara, São José, São Paulo [Centro Olímpico], nos quais a prefeitura atua ativamente em prol do futebol feminino. Joga-se muito pouco futebol feminino no Brasil, e temos uma grande dificuldade de captação de atletas”, disse Vadão.

O técnico citou também o Mundial sub-20, em que o Brasil foi o último colocado do Grupo B na primeira fase: “As meninas que foram disputar o Mundial sub-20 nem sequer têm um campeonato da categoria para disputar no Brasil. Em outros países, como EUA, Nova Zelândia, Austrália e Canadá, meninas jogam futebol desde os seis anos”.

A Caixa investe R$ 10 milhões no Brasileiro feminino de 2014. Vinte equipes de dez Estados vão disputá-lo a partir desta quarta-feira, 10 de setembro. Diz o regulamento: “Cada clube receberá, nas partidas disputadas como visitante, a quantia de R$ 5 mil, a título de ajuda de custo, paga pela SportPromotion. Cada clube receberá, por partida realizada em sua jurisdição, a quantia de RS 7 mil para cobertura das despesas com arbitragem, ambulâncias, gandulas e exame antidoping paga pela SportPromotion”.

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