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Handebol 15/06/2015

Na Europa há muitos anos, brasileiras são quase visitantes em jogo caseiro

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Ginásio Poliesportivo são-bernardense em domingo de Brasil x Noruega (Bruno Miani/Photo&Grafia)

Ginásio Poliesportivo são-bernardense em domingo de Brasil x Noruega (Bruno Miani/Photo&Grafia)

Jogadoras da seleção brasileira feminina de handebol tiveram uma oportunidade não muito comum na sexta-feira, 12 de junho, e no domingo, 14: jogaram no Brasil. Apenas três das 21 atletas convocadas atuam em equipes brasileiras. Essa situação é bem diferente da do vôlei, por exemplo, em que a seleção do país é formada em grande parte por jogadores que defendem times nacionais.

Para o público paulista foi também uma rara chance de ver as campeãs mundiais de 2013 em ação. O grande desfalque foi Eduarda Amorim, que foi a São Bernardo do Campo, mas ainda se recupera de uma lesão no joelho esquerdo sofrida em novembro de 2014, por causa da qual passou por uma cirurgia. Duda foi eleita a melhor jogadora do mundo de 2014.

A experiente pivô Daniela Piedade, 36 anos, a mais velha do elenco brasileiro, joga na Europa há 13 anos, disse não se sentir tanto em casa quando atua no Brasil. “É bom, mas vejo que ao mesmo tempo não [é bom], porque a maioria das meninas joga fora. Sentimos o calor brasileiro, mas não nos vemos em casa, porque  jogamos no exterior na maior parte do tempo. Precisamos nos readequar a isso. O calor brasileiro é muito importante; família e amigos nas arquibancadas nos ajudam muito”, disse a filha de Francisco e sobrinha de Aldo – este dono de escola de pilotagem automobilística.

Brasil x Noruega da sexta-feira (Bruno Miani/Photo&Grafia)

Brasil x Noruega da sexta-feira: Ana Paula com a bola (Bruno Miani/Photo&Grafia)

Eleita a melhor jogadora do mundo de 2012, Alexandra Nascimento, há dez anos fora do Brasil, também afirma: “A sensação com certeza é estranha”. Segundo a ponta direita, a seleção brasileira, no entanto, já mostrou ter capacidade de atuar da mesma forma independentemente do local. “Já conseguimos bloquear o público, ainda mais depois de disputar uma final de Mundial contra a Sérvia com quase 20 mil pessoas lá nas arquibancadas. A psicóloga faz conosco um trabalho de bloqueio. Eram quase 20 mil torcendo contra nós, mas na quadra eram sete a sete. Fizemos esse bloqueio e não escutávamos mais nada. Brasil jogou tão bem que a torcida se calou”, disse.

“Mas, quando chegamos aqui e vemos todo mundo vestindo a camisa amarelinha, torcendo e gritando nossos nomes, aos poucos vamos nos acostumando a isso.”

Deonise disputa bola com norueguesa em São Bernardo (Bruno Miani/ Photo&Grafia)

Deonise disputa bola com norueguesa em São Bernardo (Bruno Miani/ Photo&Grafia)

Já a pivô Fabiana Diniz, a Dara, que está há 12 anos fora do país e é a capitã da seleção brasileira, declara ainda ser diferente (para melhor) estar no pais: “Quando eu piso no Brasil me sinto muito em casa. É uma responsabilidade ver a arquibancada amarela e ouvir gente gritando seu nome, mas isso é um respaldo grande. Eu particularmente me sinto jogando em casa e sinto falta disso lá fora”. Ela completa: “Já saí do Brasil há tanto tempo que existe gente que nem me conhece”.

No ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, a seleção brasileira foi derrotada pela Noruega, bicampeã olímpica e melhor equipe europeia de 2014, por 25 a 25 na sexta-feira (12), mas, no domingo (14), em um jogo de dois tempos de 20 minutos cada um, superou a rival por 18 a 12.

O time verde e amarelo prepara-se para os Jogos Pan-Americanos e para o Mundial da modalidade – ambas as competições a serem disputadas no segundo semestre de 2015.

Em 2011, a Noruega foi campeã mundial no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, onde a seleção brasileira pôde atuar diante da sua torcida e obter a quinta posição.

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