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Ciclismo 03/02/2014

Problemas com bicicletas frustram participantes do World Bike Tour

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Concentração para World Bike Tour em São Paulo (Carolina Paro)

Concentração para World Bike Tour em São Paulo (Carolina Paro)

O que era para ser um passeio ciclístico festivo tornou-se motivo de estresse e decepção para os participantes. Muitos inscritos tiveram uma má experiência com o World Bike Tour no domingo, 2 de fevereiro de 2014, na ponte estaiada da marginal do Pinheiros: além da falta de organização durante a retirada das bicicletas, estas estavam desreguladas, quebradas ou incompletas. Houve, então, abandonos em massa logo nos primeiros metros do evento de quem retirou uma bike. Há relatos de quem não tenha conseguido a sua.

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Inicialmente, este World Bike Tour estava marcada para 25 de janeiro, celebrando o aniversário de 460 anos da cidade de São Paulo, mas foi reagendado porque, segundo os organizadores da portuguesa Sportis, não haveria tempo hábil para 2 mil das 8 mil bicicletas chegarem à capital paulista por causa de problemas legais com a embarcação que as transportava no Norte. Remarcado o evento, a organização não deu opção de devolver os R$ 300 aos inscritos – só de transferir a inscrição para outra pessoa.

Tudo isso foi precedido pelo cancelamento do passeio de Brasília em 2013 após seguidos adiamentos, pela não devolução do dinheiro de quem nele estava inscrito e pela comunicação complicada entre participantes do evento de São Paulo e organização.

Bikes que seriam retiradas (Carolina Paro)

Bikes que seriam retiradas (Carolina Paro)

Carolina Paro foi uma das participantes que, por falta de condições da bicicleta, saiu do passeio após a passagem pela ponte Octávio Frias de Oliveira, a estaiada, e optou por seguir em direção à ponte do Morumbi, voltando para casa. A chegada aconteceria no Jockey Club. Segundo a analista, as bicicletas estavam com pneus murchos. Outros problemas bastante comuns foram proteções de plástico quebradas, rodas travadas, freios não operantes, marchas desreguladas. “Foi um fracasso”, resumiu.

As dificuldades, no entanto, começaram antes de os participantes tentarem pedalar. O passeio começaria às 9h, e às 7h já havia um número considerável de pessoas no local demarcado para entrega das bicicletas e abastecimento das garrafinhas. Mas tiveram de esperar por cerca de 40 minutos, em uma enorme fila, segundo Carolina, para conseguir retirar a bicicleta. “Como o pessoal cansou de esperar, não foi possível conter todas as pessoas, que tomaram a iniciativa de pegá-las por conta própria”, contou.

“Não houve um controle de retirada da bicicleta pelo número da participação ou pela pulseirinha ou opção de tirar a de quem já havia pego”, relatou Carolina. Isso abriu brecha para possíveis furtos.

No local havia seis colaboradores, que se dividiam nos dois lados da ponte, três em cada tenda para possíveis ajustes nas bikes e enchimento dos pneus. Apesar da boa vontade deles, não foi possível atender a toda a massa de participantes, os quais os sufocaram com pedidos de manutenção.

Participantes em clima de tensão no World Bike Tour (Carolina Paro)

Participantes do World Bike Tour (Carolina Paro)

“O negativismo acabou tomando as pessoas ao redor. Todo mundo começou a reclamar. Reclamaram da postura dos seguranças que estavam lá, que não tinham culpa alguma porque não conseguiam conter as pessoas”, afirmou.

Ela se disse “frustrada”. “Depois que você fica um tempão tentando concorrer a um evento, cria uma expectativa por ser sorteado e paga por aquilo, ver o que nós vimos é frustrante”, lamentou.

O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio da Promotoria do Consumidor da Capital, instaurou em 29 de janeiro inquérito civil para apurar “possível prática abusiva por parte da empresa Bike Tour Eventos Esportivos” por deixar de realizar evento na cidade de São Paulo em 25 de janeiro. O World Bike Tour tinha até 20 de dezembro, por compromisso firmado com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), para ressarcir os inscritos de Brasília, mas refez o acordo para quitação total da obrigação até 30 de abril.

Na página oficial do WBT no Facebook, os participantes mostram toda a sua indignação. Clique aqui para ler os depoimentos. Os organizadores do evento se disseram alvo de “vandalismo”.

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Comentários


  • Flávia Lima de Magalhães disse:

    “Como o pessoal cansou de esperar, não foi possível conter todas as pessoas, que tomaram a iniciativa de pegá-las por conta própria” — em momento algum houve tentativa de entrega organizada; simplesmente largaram lá! Revoltante!

  • Wilson de Oliveira disse:

    Realmente muito desorganizado o evento esse ano! Pensei em participar mais achei tudo muito estranho no sorteio e inscrição, ainda bem que não fiz!
    Situação revoltante, os organizadores deveriam ser investigados pelo ministério público.
    “BRASIL O PAÍS DA IMPUNIDADE”

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