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Rugby 24/02/2014

Público faz celebração do rugby no Circuito Mundial feminino em Barueri

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Edna em jogo contra canadenses (João Neto/Fotojump)

Edna em jogo contra canadenses (João Neto/Fotojump)

A maioria das pessoas que foi à Arena Barueri para acompanhar em 21 e 22 de fevereiro de 2014 a etapa brasileira do Circuito Mundial feminino de rugby sevens era conhecedora de rugby por já praticar ou gostar da modalidade. Quando se caminhava pela única arquibancada aberta ao público pagante, com frequência se viam camisas de times de diversos lugares do Brasil – às vezes vestidas pelos próprios jogadores. O evento foi uma confraternização da comunidade do rugby, mas o melhor da festa foi a competição em si: a final, de altíssimo nível, foi entre as duas seleções mais fortes do mundo, Austrália e Nova Zelândia, com vitória australiana. Não faltaram lindas fintas que resultaram em tries.

Entre os espectadores estavam pessoas que vieram de fora da região metropolitana de São Paulo a fim de assistir aos jogos das 12 equipes participantes. Uma delas era Cristiane Capeletti, de Caxias do Sul (RS). A personal trainer precisou se programar com antecedência para estar em Barueri nesses dois dias. “Como trabalho como profissional liberal, tive de remanejar muitos horários com meus clientes sem que isso representasse prejuízo no trabalho”, disse ela, que também é jogadora. “Nunca imaginei que pudesse ver as seleções diante de mim, tão de perto. É gratificante encontrar pessoas de outros Estados contra as quais já joguei.” Cristiane hospedou-se em um hotel de Barueri com amigas; elas alugaram um carro para se locomover com mais facilidade.

Julia Sardá em partida contra irlandesas (João Neto/Fotojump)

Julia Sardá em partida contra irlandesas (João Neto/Fotojump)

A personal trainer tem uma ligação com a camisa 11 da seleção brasileira de sevens, Raquel Kochhann. Cristiane ajudou a atleta quando esta chegou ao rugby. “A Raquel jogava futebol e futsal. Uma amiga minha jogou contra ela, teve uma disputa de bola com ela e foi marcada falta. Minha amiga falou: “Como assim falta? No rugby não seria”. E a Raquel comentou: “Como assim rugby? Não sabia que existia isso”. Minha amiga levou a Raquel para nosso time, o Serra Rugby, e comecei a ajudá-la nos treinamentos”, contou.

James Honeybone na Arena Barueri (Andrei Spinassé/Esportividade)

James Honeybone na Arena Barueri (Andrei Spinassé/Esportividade)

Outro que tem forte ligação com o rugby, mas por seu país, é James Honeybone. O neozelandês levou a bandeira de seu país para a Arena Barueri. Questionado sobre a importância do rugby para a Nova Zelândia, o professor de inglês respondeu: “É parte da nossa identidade: nós crescemos com o rugby ao redor. No sábado à tarde, você vê um jogo de seu time na televisão. Também pode ir ao clube e jogar ou assistir a seus amigos jogando”.

Mas na Nova Zelândia, de acordo com James, a torcida é mais contida. “Lá, as pessoas são muito reservadas; então, elas são um pouco tímidas para gritar durante o jogo. Geralmente gritam “All Blacks, All Blacks” em grandes partidas, mas, em linhas gerais, é algo mais reservado, especialmente se compararmos o rugby neozelandês com o futebol brasileiro. Os torcedores de um clube como o Corinthians são muito apaixonados. Na Nova Zelândia, não haveria um apoio desses para uma equipe”, declarou o neozelandês palmeirense, que já foi ao Pacaembu quatro vezes neste ano, em que está no país como professor, para ver seu time de futebol.

Segundo James, para a seleção brasileira feminina de rugby sevens, décima colocada em Barueri, melhorar, ela precisa caprichar mais nos fundamentos básicos. “As boas equipes vão tirar vantagem de seus erros”, avisou ele, exemplificando uma falha: deixar a bola cair.

A competição

Comemoração durante Brasil x Irlanda (Andrei Spinassé/Esportividade)

Comemoração durante Brasil x Irlanda (Andrei Spinassé/Esportividade)

Foram disputados 34 jogos durante os dois dias da etapa brasileira em Barueri. É possível que as seleções joguem até seis vezes por etapa por causa das regras do sevens: cada jogo tem dois tempos de sete minutos cada um, com exceção da final, disputada em dois tempos de dez minutos cada um. O Brasil atuou cinco vezes e conquistou apenas uma vitória: derrotou a Irlanda por 30 a 0 com tries de Julia Sardá, Paula Ishibashi (dois deles), Edna Santini, Raquel Kochhann e Mariana Ramalho. A torcida vibrou muito com a atuação das brasileiras, que, no entanto, foram derrotadas por 21 a 0 pelos Estados Unidos e terminaram a etapa em décimo lugar.

Austrália celebra título de etapa brasileira (João Neto/Fotojump/CBRu)

Austrália celebra título de etapa brasileira (João Neto/Fotojump/CBRu)

A decisão entre Austrália e Nova Zelândia foi disputada sob chuva em Barueri. Com uma bela atuação coletiva, com direito a passes precisos seguidos de try, as australianas derrotaram as rivais por 24 a 12 e foram as campeãs. Agora, após três etapas, ambas as seleções têm 56 pontos no campeonato.

Em 2016, no Rio de Janeiro, o rugby voltará a ser modalidade olímpica: justamente a variação conhecida como sevens será a da Olimpíada.

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