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Vôlei 09/08/2014

Torcida opina sobre diferenças entre sucesso no vôlei e fracasso no futebol

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Jogadoras brasileiras comemoram vitória por 3 sets a 0 contra a Rússia

Jogadoras brasileiras comemoram vitória por 3 sets a 0 contra a Rússia

O público paulista mostrou-se dividido quando questionado sobre jogadoras preferidas da seleção brasileira de vôlei. Cada uma das seis mais consagradas do elenco recebeu no mínimo um voto, e a maioria dos 12 espectadores entrevistados pelo Esportividade antes de Brasil x Rússia neste sábado, 9 de agosto, disse gostar mais de Jaqueline, ponteira bicampeã olímpica, que ainda está sem clube para 2014/2015. Os torcedores também apontaram diferenças entre a seleção brasileira de vôlei e a de futebol – esta que tomou dez gols nos últimos dois jogos na Copa do Mundo de 2014 e foi uma decepção.

Para Rose Medina, comerciante, o grande mérito das seleções de vôlei, vitoriosas tanto no feminino como no masculino, é uma preocupação com o coletivo, não com o individual. “O Brasil é o país do vôlei. As pessoas acham que é do futebol. O Brasil para para ver futebol, mas o vôlei é que é campeão”, afirmou a torcedora do Sesi e admiradora das centrais Fabiana e Thaisa.

Torcida do Brasil no ginásio do Ibirapuera

Torcida do Brasil no ginásio do Ibirapuera

O professor de educação física Gilberto Machado, fã da ponteira Fernanda Garay, observa outro aspecto: “A diferença está na comissão técnica, na escolha dos jogadores. Aqui joga quem está melhor no momento. A equipe técnica é melhor que a outra [do futebol]. Se a seleção vai ser [neste ano] campeã mundial é outra história, mas você consegue ver um trabalho, a determinação das jogadoras. No futebol, muita coisa necessita ser mudada. Precisa haver uma alteração de estrutura. Daí sim dá para começarmos a ter orgulho do time”.

O engenheiro Pedro Bergonzi, um dos apreciadores do vôlei de Jaqueline, ressaltou o cuidado com a base do vôlei e com o fato de o país contar com bons treinadores. “É a modalidade em que mais nos destacamos. Na natação também estamos com bons atletas”, declarou.

O também engenheiro Iramilson Freitas, outro fã de Jaqueline, foi ao ginásio do Ibirapuera com uma camisa da seleção de futebol. “Tenho sempre orgulho, independentemente do que aconteça. Não podemos ter orgulho somente na vitória. Não importa o resultado: temos de vestir a camisa”, opinou.

Ginásio do Ibirapuera em dia de Brasil 3x0 Rússia e Estados Unidos 3x0 Coreia do Sul

Ginásio do Ibirapuera em dia de Brasil 3×0 Rússia e Estados Unidos 3×0 Coreia do Sul

Mas o vôlei também tem seus problemas. A equipe do Vôlei Amil, que era dirigida justamente por José Roberto Guimarães, não mais existirá nesta temporada da Superliga após retirada de patrocínio da empresa. Também passou por sérias dificuldades o time masculino do Rio de Janeiro depois da crise financeira vivida pelo grupo do empresário Eike Batista. A Confederação Brasileira de Vôlei se vê neste ano em manchetes, mas não pelas vitórias: por causa de reportagens como as do jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, que acusam dirigentes de favorecimento próprio ou de familiares na operação de verba oriunda do Banco do Brasil.

Apesar disso, a maior parte das jogadoras da seleção feminina, que pode obter o décimo título do Grand Prix, continua a jogar no Brasil. E a fase delas continua excelente: neste sábado tiveram belo desempenho contra a seleção russa, sem Gamova e Sokolova na competição deste ano, e mantiveram-se 100% neste Grand Prix. O duelo deste domingo será contra os EUA.

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