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Atletismo 14/10/2014

Velocista foi descoberta jogando handebol e ainda treina na terra

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Franciela Krasucki(Esporte Clube Pinheiros)

Franciela Krasucki (Esporte Clube Pinheiros)

Uma das mais talentosas velocistas brasileiras acompanhou o Troféu Brasil Caixa de 2014 das arquibancadas do estádio Ícaro de Castro Mello, o do Ibirapuera, na semana passada. Com uma tendinopatia, Franciela Krasucki não pôde disputar com Ana Cláudia Lemos, da BM&FBovespa, o posto de mulher mais rápida do país nos 100 metros e nos 200 metros rasos. Mas a pinheirense aproveitou o fato de ter tido mais tempo livre e bateu um papo com a reportagem do Esportividade.

Integrante do quarteto brasileiro finalista do revezamento 4×100 metros nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, Franciela desconhecia o atletismo até os 13 anos. Nessa idade, trocou as quadras, onde praticava futsal e handebol, pelos estádios. “Quando treinava handebol, era muito rápida, e a treinadora percebeu isso e me convidou para ir a uma competição de atletismo. Não conhecia, não sabia o que era atletismo, e fui. Ganhei medalha, só que, na chegada de uma prova, caí, me ralei toda, e disse que não queria mais. Eu fiquei um tempo parada. Depois eu fui convidada de novo para começar a treinar, comecei a gostar da coisa e estou até hoje aí”, contou.

A vida de Franciela mudou com o atletismo, mas algo não se alterou: sua preferência pela cidade onde nasceu Valinhos, no interior paulista. Ainda treina lá – e na terra. “Tive uma experiência treinando no sintético, mas não me adaptei. Tinha muita tendinite, muita lesão. Quando voltei para a terra, as lesões desapareceram. Essa foi uma opção minha. Treino na terra: ninguém acredita, mas é verdade. É um lugar onde me sinto bem, onde gosto muito de treinar. A equipe me deu essa opção”, afirmou a colega de Ana Cláudia, Evelyn e Rosângela de revezamento olímpico.

Franciela Krasucki (Esporte Clube Pinheiros)

Franciela Krasucki (Esporte Clube Pinheiros)

Quando vai para o piso sintético, como é o da pista do Ibirapuera, Franciela sente uma diferença: “Na terra, você faz bem mais força que na borracha, porque a borracha lhe devolve a força, o impacto; a terra não. Então, quando você vem para a borracha, acaba ‘voando’, correndo bem mais facilmente”.

Nascida em 1988, a valinhense é casada com o também atleta Kleberson Davide, especialista na prova dos 800 metros. Terá 28 anos em 2016, o da Olimpíada carioca. Só que, para chegar lá, precisará encarar os desafios de 2015: Jogos Mundiais Militares em maio/junho, em Mungyeong (Coreia do Sul), Jogos Pan-Americanos em julho, em Toronto (Canadá), e Mundial de atletismo em agosto, em Pequim (China). “Já corri 10s99, mas a ajuda do vento estava acima da permitida pela IAAF, então o tempo não foi validado. Tenho 11s13 nos 100 metros. E 22s76 nos 200”, afirmou.

Franciela lamenta ver o estádio do Ibirapuera com pouco público durante o tradicional Troféu Brasil. “Na Europa e em outros lugares existe mais gente assistindo ao evento. É legal competir em um estádio lotado, mas, quando você está bem concentrado, não sente a falta do público.” Ela espera, porém, que até 2016 mais gente possa se interessar por atletismo – mesmo que seja a partir de um treino de handebol.

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