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Futebol 29/09/2021

Ativos digitais em campo: criptomoedas e NFTs invadem o mercado de futebol

Por Esportividade

Atlético-MG tem sido bem-sucedido com fan token

NFT, fan token, blockchain, criptomoedas: termos como esses eram pouco conhecidos pelos amantes de futebol até pouco tempo atrás, mas agora têm sido um dos principais investimentos dos times nos chamados ativos digitais. Essa medida começou a ganhar certa popularidade na Europa quando Manchester City, Borussia Dortmund e Milan começaram a venda de tokens logo em 2020. E, agora, praticamente todos os grandes clubes do Velho Continente, assim como brasileiros, como Flamengo, Atlético-MG, Corinthians e Vasco, têm voltado os seus olhos para os ativos digitais.

Sabemos que é um tanto complicado entender até mesmo os conceitos básicos desse assunto, mas criptomoedas, a exemplo de ethereum e bitcoin, são moedas digitais baseadas em blockchain. Já NFT é a sigla para token não fungível — um certificado digital que define a originalidade e a exclusividade de bens digitais, tornando um produto, seja ele físico, seja ele digital, uma obra singular.

Tudo isso só é possível por causa da tecnologia de blockchain, sistema que permite o rastreio de envio e recebimento de dados e informações, e as partes dos códigos geradas online formam um elo de uma “corrente” — de onde vem o nome. Dessa forma, os clubes perceberam nesse novo mercado uma alternativa para utilizarem a paixão dos torcedores virtualmente.

Segundo Bruno Maia, especialista em inovação e novos negócios na indústria do esporte: “Trata-se de uma mudança cultural. O esporte não está desconectado; é apenas mais uma indústria em que os ativos digitais estão sendo inseridos. É mais ou menos como o que aconteceu no fim da década de 1990 com a evolução da internet: nem todo mundo entendia o que era um site ou um e-mail. Alguns clubes começaram primeiro, mas todos em algum momento tiveram de criar seus próprios sites”.

As criptomoedas, por exemplo, têm tido uma valorização incrível nos meses mais recentes, e as melhores casas de apostas têm aceitado o ativo digital como alternativa de pagamento, oferecendo uma gama de bônus para usuários e alertando os jogadores para a praticidade e privacidade de quem utiliza os ativos digitais.

Crise sanitária foi um catalisador

De acordo com alguns especialistas no assunto, a crise sanitária acelerou todo o processo de digitalização. “O futebol ficou sem capacidade de criar novas fontes de receita, mas ainda assim possui um ativo valioso que são os dados, e isso abriu espaço para modelos inovadores de parceria”, diz Maia, que recentemente lançou o livro “Inovação é o Novo Marketing”.

O pioneiro na exploração dos ativos digitais no Brasil foi o Vasco da Gama: o time estava em apuros, prestes a ser rebaixado para a Série B, e com isso no finzinho de 2020 ele lançou o “Vasco Token” em associação com a Mercado Bitcoin.

A ideia era fazer uso da tradição de formar ótimos futebolistas em São Januário; com isso, caso jogadores revelados no Vasco, como Philippe Coutinho, Paulinho (atacante) e Douglas Luiz, sejam negociados, uma parcela da quantia irá para o torcedor que comprou os tokens do clube.

Outro time que fez uso da novidade é o Atlético-MG, que, apesar de liderar a lista de devedores do futebol brasileiro, ultrapassando facilmente a casa do bilhão, atualmente tem um dos elencos mais caros do Brasil. Isso só se tornou possível por conta de um aporte enorme de um grupo de patrocinadores, liderados por Rubens Menin, cofundador da MRV Engenharia, que também foi pioneira no mercado digital. Na metade deste ano, foi lançado o “$GALO”, o fan token do clube mineiro, em conjunto com a plataforma multinacional e líder de mercado Socios.com. Ela é especializada na emissão de tokens em blockchain para expoentes do esporte mundial, como o UFC, Aston Martin F1 Team, Juventus, Barcelona e Milan.

Atualmente, os proprietários das criptomoedas do Atlético-MG podem utilizá-las para adquirir produtos, assim como recebem o direito de votar em escolhas de layout de ônibus e frases motivacionais nos vestiários, por exemplo. Até o momento, o time mineiro angariou mais de R$ 4 milhões com a ação e já lançou mais de 600 mil tokens.

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