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Futebol 03/07/2014

Esportividade dá nota 8,5 para Copa-2014 no Itaquerão; confira a avaliação

Por Andrei Spinassé, editor, e Iury Cesar Alves, colaboração para o Esportividade
Arena Corinthians durante Argentina x Suíça (Andrei Spinassé/Esportividade(

Arena Corinthians durante Argentina x Suíça (Andrei Spinassé/Esportividade)

Demos nota 8,5 para a experiência do torcedor em jogos da Copa do Mundo na Arena Corinthians, em São Paulo. Cada um de nossos dois avaliadores foi a três partidas do Mundial no Itaquerão e comentou os pontos positivos e os negativos do que viu e sentiu no estádio.

Os maiores elogios foram para o esquema montado para os espectadores chegarem à Arena Corinthians e saírem de lá e para o clima da Copa, algo mágico e único. As principais críticas foram destinadas às arquibancadas temporárias e a alguns serviços de responsabilidade da Fifa no estádio.

Mas a avaliação geral, cuja nota média foi 8,5, mostrou-se muito positiva. Leia agora o que dissemos detalhadamente sobre nove itens.

Mobilidade – 8,75

Caminho da estação Artur Alvim até a Arena Corinthians (Andrei Spinassé/Esportividade)

Caminho da estação Artur Alvim até a Arena Corinthians (Andrei Spinassé/Esportividade)

Andrei Spinassé, 10: O esquema de locomoção foi um sucesso. Nos três jogos aos quais eu fui – o primeiro deles Inglaterra x Uruguai –, minha entrada era a oeste; por isso fui de metrô até a estação Artur Alvim. Caminhei cerca de 1 km, sem problemas, do trajeto desta à Arena Corinthians. No retorno, gastei menos de meia hora do meu assento, lá do alto da arquibancada temporária norte, à plataforma. A operação de saída de público evoluiu para Argentina x Suíça, e formou-se com grades um corredor do estádio à estação. Até Holanda x Chile, os espectadores, após o fim da zona de restrição, misturavam-se à população local, o que bagunçava o percurso.

Estação Corinthians-Itaquera vista da Arena Corinthians (Andrei Spinassé/Esportividade)

Estação Corinthians-Itaquera vista da Arena Corinthians (Andrei Spinassé/Esportividade)

Entrada leste/Corinthians-Itaquera
Iury Alves, 5: Sobre transporte até a entrada leste, avalio primeiramente a mobilidade pelo Expresso da Copa da CPTM, indo da estação da Luz para a Corinthians-Itaquera sem paradas. Que por sinal se mostrou muito boa até mesmo antes da Copa. Na operação tradicional, com paradas, foi possível chegar à região do Itaquerão em menos de 25 minutos; com o Expresso, em 20 minutos. Porém, a caminhada da estação Corinthians-Itaquera ao estádio é um pouco cansativa; era praticamente do shopping até o Itaquerão. Ao sair pelas catracas, à nossa esquerda nós encontrávamos uma imensa rampa de acesso ao estádio que corta a Radial Leste, mas não funcionou em momento algum. Em média, desse ponto de partida (metrô/shopping) até o estádio levei mais ou menos 15 minutos. Infelizmente, na Copa do Mundo, não tive uma boa impressão de chegar ao estádio pela última estação da Linha 3-Vermelha do Metrô. Para compensar essa dificuldade, destaco o bom funcionamento do transporte sobre trilhos. Realmente rápido e prático.

Entrada oeste/Artur Alvim
Iury Alves, 10: Quem foi ao estádio por Artur Alvim não encontrou dificuldade alguma. A impressão que eu tive foi que saindo da estação Artur Alvim acabei chegando ao estádio mais rapidamente que saindo da Corinthians-Itaquera. Tanto que na última partida a que fui (Argentina x Suíça) fiz um teste, indo pela estação Corinthians-Itaquera e voltando sentido Artur Alvim. A impressão que realmente ficou é que, diferentemente dos “15 minutos” de Itaquera, em menos de 10 minutos consegui chegar até Artur Alvim, mesmo com o grande movimento de torcedores em direção à estação.

Sinalização – 9,5

Expresso da Copa na Luz (Copa SP 2014)

Expresso da Copa na Luz (Copa SP 2014)

Andrei Spinassé, 9: Diversas placas foram instaladas em estações metroviárias e da CPTM com orientações sobre a ida ao estádio de Itaquera e à Fan Fest do Vale do Anhangabaú. Algumas informações passaram a ser ditas também em inglês pelos operadores dos trens. Faixas com mensagens como “prepare-se para mostrar seu ingresso” alertavam o torcedor sobre o que estava por vir ao longo do trajeto a pé. No estádio, foi fácil encontrar a cadeira mencionada no ingresso. Faltaram, no entanto, orientadores para avisar os torcedores a respeito de mais opções de banheiros e lanchonetes: formava-se uma fila diante de um desnecessariamente, sendo que havia outros bem mais vazios em diferentes pontos do Itaquerão.

Iury Alves, 10: Quanto à sinalização do Itaquerão, avalio-a com a nota mais alta. Além das placas de indicação de chegada ao estádio, havia sinalizações para arquibancadas, sanitários, lanchonetes; existiam muitos voluntários que indicavam como chegar tranquilamente ao seu lugar no estádio ou ao banheiro mais próximo.

Segurança – 9,5

Trecho após saída da estação Artur Alvim (Andrei Spinassé/Esportividade)

Trecho após saída da estação Artur Alvim (Andrei Spinassé/Esportividade)

Andrei Spinassé, 9: Os procedimentos e equipamentos adotados fazem o torcedor se sentir em um aeroporto. No percursos de ida e volta, havia muito policiamento, e a filtragem na metade da caminhada de quem tinha ingresso ou não era feita pela Polícia Militar. Particularmente não me senti ameaçado em momento algum dos três jogos, mas li relato de furto de ingressos no trajeto entre Corinthians-Itaquera e Arena Corinthians antes de Holanda x Chile. É recomendável, então, só segurar o ingresso quando isso for pedido.

Iury Alves, 10: No caminho até o estádio e dentro dele, havia um grande número de policiais e seguranças particulares da Fifa. O policiamento acabou com a dúvida dos torcedores se eles conseguiriam prestigiar uma partida na Arena Corinthians sem que houvesse intervenções de protestos na região.

Alimentação 7,75

Lanchonete da arquibancada temporária norte (Andrei Spinassé/Esportividade)

Lanchonete da arquibancada temporária norte (Andrei Spinassé/Esportividade)

Andrei Spinassé, 7,5: Quem foi ao estádio esperando almoçar detestou a comida que os fornecedores da Fifa disponibilizaram na Arena Corinthians: nos dois jogos em que o horário coincidiu com o de almoço, Holanda x Chile e Argentina x Suíça, comi double cheeseburger – que não era grande –  e bebi um refrigerante de 600 ml, gastando R$ 21 em cada dia. Comprei a comida abaixo da arquibancada temporária norte e não enfrentei fila, pois eram ainda 11h30. Poderia ter comido e gastado mais, mas o ambiente não era favorável a isso: poderiam existir mais áreas com mesas e cadeiras. O improviso era tanto que, após comprar o lanche, tive de sentar sobre um das estruturas de suporte da arquibancada temporária. O ambiente não era convidativo para se lanchar. O double cheeseburger não estava ruim. Saí do estádio com fome.

Iury Alves, 8: Não posso avaliar os lanches do estádio, pois não os consumi. Somente consumi bebidas, mais especificamente água e refrigerantes. O que virou o presente de lembrança da Copa foram os copos comemorativos da Coca-Cola, da Brahma e da Budweiser. Caminhando até o estádio, ouviam-se pessoas comentando que tinham de chegar antes que os copos acabassem. Uma ideia muito boa das empresas, apesar do preço absurdo das bebidas.

Banheiros  8,5

Alimentação e sanitários nos andares das arquibancadas temporárias (Esportividade)

Alimentação e sanitários nos andares das arquibancadas temporárias (Esportividade)

Andrei Spinassé, 8: Como foi dito anteriormente, houve acúmulo de pessoas em alguns sanitários e lanchonetes no térreo, mas quem andasse mais pela Arena Corinthians encontraria lugares mais vazios. Nos três jogos, não peguei uma vez sequer fila para ir ao banheiro. Mas quem necessitou usar a cabine, e não o mictório, deve ter tido mais dificuldades, uma vez que havia poucas nos bastidores da arquibancada temporária norte. Já os banheiros permanentes da Arena Corinthians são muito bons.

Iury Alves, 9: Algo que me impressionou no Itaquerão foram os sanitários. Com uma limpeza fora dos padrões dos estádios brasileiros, os banheiros da Arena Corinthians estavam limpos, sem o costumeiro cheiro ruim. É claro que, com a grande utilização, no intervalo, por exemplo, já havia papéis jogados no chão. Mesmo assim, isso não interferiu na avaliação final desse item.

Arquibancadas provisórias 7,25

Barra de ferro atrapalha visão de telão (Andrei Spinassé/Esportividade)

Barra de ferro atrapalha visão de telão (Andrei Spinassé/Esportividade)

Andrei Spinassé, 7,5: Mesmo da última fileira da arquibancada temporária norte, a visibilidade é excelente: o torcedor não consegue muito bem distinguir jogadores, mas observa tendências de jogo como ninguém. Entretanto, o fato de os setores temporários não terem ligação com o projeto original do estádio causou alguns inconvenientes: dependendo da posição do assento, uma barra metálica da cobertura “cortava” um dos telões da Arena Corinthians; pessoas sentadas à esquerda ou à direita da arquibancada temporária tinham outra arquibancada, e não o campo, diante de si. Principalmente durante Uruguai x Inglaterra, me senti em um “mundo à parte” lá, pois, nos andares superiores, pouco se escuta o barulho das torcidas de outras regiões do estádio – não há efeito de “caldeirão” lá em cima. Mas a estrutura criada nos andares das arquibancadas temporárias, com banheiros e lanchonetes, agradou.

Torcedores têm de se levantar para outros passarem (Andrei Spinassé/Esportividade)

Torcedores têm de se levantar para outros passarem (Andrei Spinassé/Esportividade)

Iury Alves, 7: Pelos jogos que acompanhei no estádio, não poderia dizer que tive sorte, mas consegui lugares onde tive uma ótima visão do estádio e do campo. Porém, as arquibancadas provisórias parecem ser “distantes” das fixas. Olhando quem se sentava nas fileiras mais acima, tinha-se a impressão de que essas pessoas estavam acompanhando a partida da avenida que fica atrás da Arena Corinthians. Muito provavelmente objetivando mais lugares no estádio, acabaram estreitando até demais o espaço do torcedor. Quando alguém de sua fileira queria sair, você tinha de ficar se levantando a todo tempo para a pessoa não esbarrar ou bater em sua perna.

Limpeza – 8,75

Área de alimentação e de estandes de patrocinadores do Itaquerão (Esportividade)

Área de alimentação e de estandes de patrocinadores do Itaquerão (Esportividade)

Andrei Spinassé, 9,5: A ideia da distribuição de copos temáticos condicionada à compra de bebida foi bem-sucedida. Como viraram objetos de coleção, as pessoas os levaram para casa e não simplesmente os jogaram no chão. Nos jogos da primeira fase, existiam nos copos até desenhos das bandeiras das seleções presentes naquele jogo; nas oitavas, havia apenas nome da fase, local e data. Quanto a cestas de lixo, a quantidade era suficiente.

Iury Alves, 8: Se eu fosse levar em consideração o jogo Holanda x Chile, por exemplo, seria uma nota muito baixa, pois em meu assento havia uma marca de pé. Mas, após assistir a mais dois jogos no estádio, percebi uma melhora nessa parte. Quanto à limpeza em geral no estádio, posso avaliar como muito boa. É claro que em um evento com muitas pessoas, mais de 60 mil, não há como encontrarmos a mesma limpeza do local que vimos quando chegamos. Mas em questão de limpeza o estádio se saiu bem.

Lojas oficiais da Fifa – 7

Fila para entrar na principal loja da Fifa do Itaquerão (Andrei Spinassé/Esportividade)

Fila para entrar na principal loja da Fifa do Itaquerão (Andrei Spinassé/Esportividade)

Iury Alves, 7: Com produtos variados, o torcedor tinha muitas opções de compra de artigos da Copa, mas com um preço um pouco acima para os padrões do Brasil. Mesmo com esse fator dos valores, muitas pessoas compraram a sua lembrança da Copa do Mundo.

Andrei Spinassé, sem nota: Não comprei produtos nas lojas.

Ambiente – 9,5

Torcedores uruguaios antes de Uruguai x Inglaterra em São Paulo (Esportividade)

Torcedores uruguaios antes de Uruguai x Inglaterra em São Paulo (Esportividade)

Andrei Spinassé, 9: O clima de Copa do Mundo é dos mais interessantes. Ver as arquibancadas se colorirem conforme as seleções que estão em campo é algo mágico: em Holanda x Chile, predominaram cores quentes, vermelho e laranja. Em Argentina x Suíça, o azul e o branco eram as mais presentes. Observar como os torcedores de outros países apoiam sua seleção é fascinante. É válido transitar pela área comum a fim de ver as camisas, pinturas e fantasias dos torcedores. Mesmo o clima de rivalidade entre brasileiros e argentinos em Argentina x Suíça teve predominância do bom humor. Mas os argentinos quebraram cadeiras da Arena Corinthians, e por isso não se pode dar dez para o que aconteceu até aqui.

Iury Alves, 10: Surpreendente. Os jogos que ocorreram no Itaquerão e os espectadores, brasileiros e estrangeiros, mostraram que realmente essa é a Copa das Copas. O ambiente era superagradável. E, acima de tudo, com bastante respeito e amizade. Vimos isso no último jogo da seleção argentina, em que aconteceram as brincadeiras com as músicas do Maradona e do Pelé. É claro que, em um ambiente de um estádio de futebol, sempre há alguém um pouco mais “emocionado” que acaba levando muito a sério. Porém, o clima de amizade e o clima de Copa superaram qualquer problema, fazendo dos jogos do Mundial no Itaquerão uma experiência inesquecível principalmente para o torcedor brasileiro.

Ainda resta um jogo da Copa do Mundo a ser disputado na Arena Corinthians: Holanda ou Costa Rica x Argentina ou Bélgica em 9 de julho. Desse duelo sairá um dos finalistas do Mundial de 2014.

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