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Esporte 01/12/2020

Ginásio e estádio do Ibirapuera seriam preservados se ‘arena’ fosse no Anhembi

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade

Ginásio do Ibirapuera (Andrei Spinassé/Esportividade) 

Destruir um espaço esportivo público para dar lugar a outro que não atende às mesmas modalidades: isso pode ser dito a respeito do autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e aplicado ao projeto de concessão à iniciativa privada do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, em São Paulo.

Enquanto na capital fluminense o circuito automobilístico foi demolido para que ginásios olímpicos pudessem ser construídos, na paulista pretende-se demolir o estádio Ícaro de Castro Mello (de atletismo) e outras instalações, como um complexo aquático, para a construção de uma “arena multiúso coberta” com capacidade para 20 mil pessoas – podendo ficar meses sem receber um evento esportivo. Além disso, o governo estadual não obrigará o concessionário a manter o ginásio do Ibirapuera como um equipamento esportivo, abrindo espaço para tornar-se até um shopping center.

No Rio de Janeiro, não se cogitou erguer o Parque Olímpico dos Jogos-2016 em outro lugar a não ser no terreno do autódromo, que já havia sido encurtado em razão de um ginásio construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.

Sugestão de projeto do ginásio multiúso do Anhembi (SPTuris)

Em São Paulo, havia outra possibilidade: durante a gestão do prefeito Fernando Haddad, foi adiante o plano de cessão de uma área ao lado da concentração do sambódromo do Anhembi para a construção de uma “arena multiúso” com características similares à proposta agora.

A ideia, oriunda da iniciativa privada, da Time for Fun, quase foi posta em prática, mas, quando assumiu a prefeitura, em 2017, João Doria tinha outros planos para o Anhembi: inicialmente seria privatizado, isto é, o terreno seria vendido, o que inviabilizaria o projeto, que acabou sendo engavetado. A privatização não foi bem-sucedida, e em 16 de dezembro de 2020 os envelopes com propostas de concessão do complexo serão abertos.

Se o plano do ginásio do Anhembi não tivesse sido abortado pela prefeitura, a concessão do complexo do Ibirapuera seria mais parecida com a do Pacaembu: para a concessionária gerar mais receita, até poderia ser construído um edifício multiúso, mas não às custas de toda uma bela história – o ginásio do Ibirapuera completará 64 anos em janeiro de 2021.

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