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Corrida de rua 17/01/2022

Mulheres participam menos de corridas que homens na pandemia de covid-19

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade

Mulheres foram só 29,41% dos inscritos na São Silvestre-2021 (Esportividade)

Um dos maiores efeitos da pandemia de covid-19 sobre os eventos de corrida de rua é a redução da participação das mulheres. Tanto o Ticket Agora, maior site de inscrições do Brasil, como o Esportividade mensuraram essa diminuição proporcional.

O Ticket Agora registrou em 2021 venda de inscrições para um público 42% feminino, enquanto em 2017 e em 2018 esse percentual era de 53%. Uma primeira queda foi verificada antes mesmo da pandemia, em 2019, quando elas correspondiam a 46% dos consumidores de inscrições para provas de modalidades como corrida, ciclismo e triatlo.

No caso da audiência do Esportividade, havia um equilíbrio até 2019, quando as mulheres eram 50,88% dos usuários do site jornalístico. De março de 2020 para cá, passaram a ser 43,90%.

Segundo uma pesquisa conduzida entre maio e junho de 2020 pela equipe do neuropsicólogo Antônio de Pádua Serafim, do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), as mulheres foram mais afetadas emocionalmente pela pandemia que os homens.

“Embora a pesquisa não tenha detalhado as razões que levaram as mulheres a terem maior sofrimento psíquico, a literatura médica vem mostrando que são elas que têm maiores impactos pelas condições sociais [como conciliação de trabalhos domésticos com vida profissional para muitas] em que vivem. A pandemia só acirrou essa situação”, afirmou o neuropsicólogo. O sofrimento psíquico também atingiu quem morava sozinha e não tinha filhos: os níveis mais elevados de estresse, depressão e ansiedade foram relatados por mulheres nessas condições.

No caso específico da corrida de rua, embora a modalidade seja um “antidepressivo poderoso”, como diz o médico Drauzio Varella, existe uma diferença entre praticá-la e participar de eventos. Disputar uma prova envolve gastar às vezes um décimo de um salário mínimo em inscrição, sentir-se seguro o suficiente para estar em meio a centenas de pessoas e programar-se para não estar em casa por quase uma manhã inteira. A falta de um desses pontos inviabiliza a participação.

Há de se considerar também que eventos mais descontraídos, como corridas noturnas ou temáticas, ainda não foram normalizados. Quando voltarem de fato à cena, ajudarão a aumentar a participação feminina.

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