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Vôlei de praia 29/09/2014

Música ‘Eu sou brasileiro…’, composta em 1949, não une torcida como antes

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Quadra central do Barueri Grand Slam durante final masculina (FIVB/Divulgação)

Quadra central do Barueri Grand Slam durante final masculina (FIVB/Divulgação)

Já foi o tempo em que “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” era o principal canto das torcidas nos ginásios e nas arenas do país e unia os espectadores. Apesar de ainda estar presente nos ambientes esportivos, a música não é cantada como antigamente. Quando alguém se lembra dela e começa a cantá-la, é ouvida em alguns pontos das arquibancadas, não em todos, e rapidamente é deixada de lado.

A falta de empolgação com “Eu sou brasileiro…” pôde ser sentida nos três mais recentes grandes eventos esportivos internacionais que aconteceram na região metropolitana de São Paulo após a Copa do Mundo de futebol: etapa do Grand Prix de vôlei, Brasil x Espanha da Copa Davis (ambos no ginásio do Ibirapuera) e Barueri Grand Slam de vôlei de praia.

Holandeses comemoram vitória sobre Ricardo/Emanuel (FIVB/Divulgação)

Holandeses comemoram vitória sobre Ricardo/Emanuel (FIVB/Divulgação)

E nos três eventos houve vitórias brasileiras. A celebração só não foi completa porque em Barueri a dupla Ricardo/Emanuel foi derrotada na final por Varenhorst/Nummerdor, da Holanda. Até o improvável, classificação do Brasil para o Grupo Mundial da Copa Davis após o triunfo sobre a Espanha, aconteceu. A redução do espaço de “Eu sou brasileiro…” não teve a ver, portanto, com o desempenho dos atletas do país dentro de quadra.

O coordenador de comércio exterior Robson Pereira dos Santos, de Barueri, observa um momento não muito favorável ao “orgulho brasileiro” depois da Copa do Mundo: “Nosso esporte principal, o futebol, deu uma desencantada. O momento político também precisa ser levado em consideração. Estamos a uma semana das eleições”. Mas vê necessidade de haver uma reciclagem de “gritos de guerra”: “Tem de ser dada uma repaginada. O brasileiro sempre foi da mesmice. Mas vai melhorar, o povo brasileiro vai resgatar esse orgulho e, de repente, cantar outra música que tenha a ver com o que ele sente. Os torcedores argentinos são muito mais criativos que os brasileiros”.

Talita ergue Larissa após vitória sobre italianas (FIVB/Divulgação)

Talita ergue Larissa após vitória sobre italianas (FIVB/Divulgação)

No vôlei de praia, os animadores de torcida induzem o espectador a cantar e a vibrar de acordo com o que acontece em quadra. Músicas como “Eu quero ace”, no ritmo de “Gangnam style”,  e “Paredão”, em caso de bloqueio, são as mais comuns. “Aqui é diferente, mas, quando não existe animação de torcida, dá para perceber sim essa falta de criatividade”, disse o funcionário Danilo da Silva, também morador de Barueri.

A fisioterapeuta Fernanda Vergani, que mora em Barueri, não percebe muita animação do brasileiro com o próprio país: “Depois da vergonha, dos 7 a 1 para a Alemanha, deu uma amuada na torcida. Fora os outros problemas brasileiros. Não temos muita opção de voto, a Copa veio em uma hora errada… Nesses eventos assim não estamos muito contentes não”.

Visão geral da quadra principal do Barueri Grand Slam em 28 de setembro (FIVB/Divulgação)

Visão geral da quadra principal do Barueri Grand Slam em 28 de setembro (FIVB/Divulgação)

No Barueri Grand Slam, não houve como ignorar a política. No domingo passado, durante a final feminina entre Larissa/Talita e Menegatti/Orsi Toth, uma pipa em formato de número de candidato foi solta sobre a arena. Como foi dito em outra reportagem, carros portando caixas de som que veiculavam propaganda política passavam constantemente pela rua barueriense, e as mensagens podiam ser ouvidas das quadras e arquibancadas. Quem deixava o carro no estacionamento ao lado da arena era surpreendido quando voltava ao local por vários papéis nos limpadores de para-brisa.

Nelson Biasoli, que foi o compositor de “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” e de tantas outras músicas, morreu neste mês em Ribeirão Preto após ter sido internado com um quadro de insuficiência renal e infecção pulmonar. Ele tinha 83 anos. Compôs “Eu sou brasileiro” em 1949 para uma competição estudantil disputada contra alemães.

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