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Futebol 26/08/2014

‘Palmeiras’ já esteve associado ao São Paulo, mas respeito prevaleceu

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Palmeiras x São Paulo no Pacaembu em 2014 (Cesar Greco/Ag Palmeiras)

Palmeiras x São Paulo no Pacaembu em 2014 (Cesar Greco/Ag Palmeiras)

Em um tempo em que a convivência entre torcidas está tão conturbada e são constantes os relatos de violência, vale resgatar uma época em que um clube era rebatizado homenageando outro extinto que teve a ver com a fundação de um adversário. A diretoria do Palmeiras, que nesta terça-feira, 26 de agosto de 2014, completa cem anos, teve em setembro de 1942 uma atitude hoje em dia inimaginável: necessitou novamente mudar o nome do Palestra – àquela altura já Palestra de São Paulo – por causa da posição do Brasil na Segunda Guerra Mundial e optou por Sociedade Esportiva Palmeiras.

Já havia existido um Palmeiras na capital paulista: Associação Atlética das Palmeiras. Em janeiro de 1930, o primeiro Palmeiras ganhava as manchetes dos jornais por causa da ida de ex-jogadores seus para o recém-fundado São Paulo Futebol Clube. Ou seja, o primeiro Palmeiras tinha ligação com o São Paulo, não com o Palestra Itália.

E não havia no São Paulo Futebol clube apenas ex-membros da Associação Atlética das Palmeiras: também estavam lá os do Club Athletico Paulistano – a Associação Athletica São Bento acabou não entrando na fusão.

A placa da fundação em 1930, atualmente no Memorial do São Paulo

A placa da fundação em 1930, atualmente no Memorial do São Paulo

O CA Paulistano, 11 vezes campeão paulista, já tinha extinto sua divisão de futebol com o fim da Liga de Amadores de Futebol, que o clube da zona oeste encabeçava. “Tentou-se, portanto, uma fusão com vários fins, dos quais os mais importantes foram: permitir que os elementos do clube do Jd. América [Paulistano] pudessem ser admitidos pela Associação Paulista por meio das filiações do Palmeiras e do São Bento; dar uma saída aceitável aos ‘sagrados’ princípios que os alvirubros [Paulistano] defenderam a fim de extinguir a Associação Paulista; amparar duas entidades necessitadas de sangue regenerador”, explicava a “Folha da Noite” de 27 de janeiro de 1930.

Sem a Liga de Amadores de Futebol, o então Palmeiras e o São Bento tinham reingressado na Associação Paulista de Esportes Atléticos e não dispunham de recursos para lutar contra a situação precária em que se encontravam. A fusão, então, foi uma boa solução. Com a criação do São Paulo Futebol Clube, a Chácara da Floresta, que era usada pela AA das Palmeiras, passou a ser a casa do novo clube. Em dificuldades, o São Paulo Futebol Clube fundiu-se ao vizinho Clube de Regatas Tietê em maio de 1935, mas foi refundado com o nome original em dezembro daquele ano.

A “Folha da Noite” de 15/09/1942 tratou assim da mudança de nome do Palestra para Palmeiras: “Bem se pode dizer que o Palmeiras continuará trilhando o mesmo caminho de glórias, zelando pelo passado dos dois nomes tradicionais no esporte paulista. Já houve em São Paulo outro Palmeiras, um grande clube. Uma associação esportiva sempre lembrada. Esse nome que o público esportivo não esquece junta-se à tradição do Palestra de São Paulo. Depositária dessa herança, a Sociedade Esportiva Palmeiras terá sempre um incentivo conduzindo-se a grandes feitos e impondo-a à admiração de seus sócios”.

Há quase 72 anos, a diretoria palestrina deu uma aula de respeito à história do futebol e aos adversários. É uma das maiores heranças de cem anos de clube.

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