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Esporte 07/01/2022

Pesquisas mostram máscara quase sem efeito e exercício como aliado da vacina

Por Esportividade

Atleta corre de máscara na São Silvestre-2021 (Esportividade)

Duas pesquisas da Universidade de São Paulo divulgadas neste início de janeiro de 2022 contêm resultados que valem a pena ser conhecidos por esportistas amadores atuais e futuros. Ambas ainda não foram revisadas por pares.

Proteção vacinal

Participantes da Inclusão a Toda Prova, corrida do Instituto Olga Kos, em dezembro de 2021 (Esportividade)

Estudo conduzido por pesquisadores da USP e realizado com 748 pacientes do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP) mostrou que a prática de exercícios físicos está associada ao aumento da resposta imunológica à vacina contra a covid-19, a qual tende a diminuir com o passar do tempo.

Com os devidos ajustes para idade, sexo, uso de medicamentos e obesidade, dos 748 pacientes analisados (421 ativos e 327 inativos), seis meses após completado o esquema vacinal com CoronaVac, as taxas de positividade de anticorpos – IgG antiSars-CoV-2 e neutralizantes – foram maiores, de forma significativa, para os ativos do que para os inativos. “Para cada 10 pacientes inativos que apresentaram soropositividade, 15 ativos tiveram o mesmo resultado”, disse Bruno Gualano, professor do departamento de cínica médica da FM-USP e especialista em fisiologia do exercício.

Foi utilizado o critério da Organização Mundial da Saúde: ativa é aquela pessoa que se exercita de forma moderada por, pelo menos, 150 minutos por semana ou 75 minutos de maneira intensa.

Máscaras

Evento-teste de outubro de 2020 (Abraceo/Divulgação)

Outro estudo chegou à conclusão de que “o uso de máscaras de tecido não interfere significativamente nos padrões de respiração e fisiologia cardiovascular durante a prática de exercício físico em intensidade de moderada a vigorosa”.

“Mostra que os mitos de que o uso de máscara durante o exercício físico seria prejudicial, afetando, por exemplo, a saturação de oxigênio do sujeito, não se sustentam”, afirmou Gualano, autor do artigo. “O uso da proteção não alterou significativamente o funcionamento corporal durante a prática de exercício moderado ou pesado.”

Na pesquisa da FM-USP feita em 2021, 17 homens e 18 mulheres saudáveis realizaram testes ergoespirométricos em esteira – que avaliam as respostas cardiopulmonares por intermédio da troca de gases expirados e inspirados – em diferentes intensidades de esforço. Os 35 participantes do estudo correram com máscara de tecido de três camadas e, em outra sessão, sem ela – a fim de que a comparação fosse feita.

Chegada da Volta SP 10k em agosto de 2021 (Esportividade)

Os testes permitiram analisar o consumo de oxigênio e a capacidade respiratória, por exemplo. “Também avaliamos medidas de funcionamento cardiovascular, a saturação de oxigênio e a acidose no sangue. A conclusão foi que as perturbações provocadas pela máscara foram muito pequenas, especialmente nas intensidades abaixo do esforço máximo, que são capazes de trazer enormes benefícios à saúde”, declarou em entrevista à Agência Fapesp.

Nas altas intensidades, foi possível perceber pequenas alterações respiratórias. Gualano pondera: “Mas o organismo consegue lidar bem com isso por meio de respostas fisiológicas compensatórias. A saturação de oxigênio, a frequência cardíaca, a percepção do esforço, os níveis de lactato (medida indicativa do equilíbrio ácido-base no organismo), a pressão arterial: tudo isso está dentro do esperado, mesmo com uso da máscara e em intensidades criticas”.

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