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Futebol 22/10/2013

Tensões crescentes entre Palmeiras e WTorre fazem partes se posicionarem

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Allianz Parque em outubro de 2013

Allianz Parque em outubro de 2013

Aumentaram nesta semana as tensões entre Palmeiras e WTorre, que constrói o Allianz Parque no lugar do antigo Palestra Itália, na zona oeste paulistana. O presidente do clube, Paulo Nobre, afirmou defender a soberania do clube, pois esta estaria ameaçada por interpretações contratuais (equivocadas, segundo ele) da construtora sobre a venda de cadeiras e a definição dos preços dos ingressos. Já a empresa, em comunicado, disse que “a diretoria palmeirense pretende alterar o que já está contratado faz muito tempo”.

Depois de polêmica entrevista de Walter Torre, comandante da empresa, ao jornal “Lance!”, Nobre convocou uma entrevista coletiva “para tranquilizar a torcida, que está um pouco ansiosa frente às notícias veiculadas nas últimas semanas sobre o relacionamento entre Palmeiras e WTorre”.

Nobre mandou, então, um recado para os torcedores: “Independentemente do negócio entre as partes, o Allianz Parque é a casa do palmeirense. Que nenhum terceiro venha se julgar dono dela. Essa presidência não admite, em hipótese alguma, ser ferida a soberania do Palmeiras. Ninguém vai passar o Palmeiras para trás”.

De acordo com o mandatário palmeirense, pelo combinado, cabe à WTorre a comercialização – o aluguel – de todos os camarotes, mas, para se ter acesso aos jogos, será necessário comprar ingresso. “Seriam 10 mil cadeiras para a WTorre negociar e o restante para o Palmeiras”, declarou. “O Palmeiras, como dono do espetáculo, tem todo o direito de precificar o ingresso. Ele não pode abrir mão de estipular o preço da entrada”, disse Nobre, mencionando também o fato de que promotores de shows têm essa mesma liberdade.

“Se o Palmeiras não puder precificar o ingresso e não tiver suas cadeiras para comercializar da maneira que lhe convier, em 30 anos isso pode significar uma perda de 300 a 700 milhões de reais, considerando ocupação de 50% do estádio e dependendo dos preços praticados. O Palmeiras não pode abrir mão disso em hipótese alguma.”

Paulo Nobre descarta ceder por medo de interrupção das obras e está disposto a tentar de todas as formas resolver esse impasse e recorrer à Câmara de Comércio Brasil-Canadá, como previsto em contrato entre as partes, caso não se chegue a um acordo. “É muito importante que neste momento fiquem claras as regras de convivência para que os próximos 30 anos não sejam um pesadelo, mas sim uma coisa interessante para ambos”, disse. “Ir à corte arbitral pode atrasar um pouco mais a obra, mas é melhor conter a ansiedade neste momento – porque estamos decidindo o futuro do Palmeiras dos próximos 30 anos – do que passar esse período sofrendo por algo que não começou da maneira adequada.”

O outro lado

Allianz Parque em outubro de 2013

Allianz Parque em outubro de 2013

Em comunicado, a WTorre explicou todas as fases até que o contrato fosse assinado, em 2008, e listou os seguintes benefícios do clube com a parceria: zero de dívida e zero de investimento; novas instalações para o clube social (mais de 20 mil m² de área construída, orçada em R$ 75 milhões) já entregues; manutenção de 100% da receita de bilheteria dos jogos do clube; participação em todas as receitas do estádio, como patrocínios, venda de alimentos e bebidas, estacionamento, aluguel para shows, aluguel de cadeiras e camarotes, entre outras.

“A participação do clube se dá em percentuais crescentes (5% a 30% e 20% a 45%, dependendo do tipo de atividade) sobre a receita líquida, não sobre o resultado. Na prática, todo o risco do empreendimento é da WTorre. O clube não corre risco sobre a operação. Não há período de carência. O Palmeiras começa a receber desde o primeiro dia de funcionamento do estádio”, continou o comunicado.

A construtora diz que o Palmeiras tem acesso, sim, às receitas de venda de cadeiras, “mas nos percentuais estabelecidos no acordo firmado; além disso, mantém acesso a 100% da arrecadação com as bilheterias nos jogos de futebol”.

Segundo Paulo Nobre, se não houver atrasos por causa do impasse, o Allianz Parque tem inauguração prevista para o fim do primeiro trimestre de 2014 ou, no máximo, no início do segundo. Existem dois shows do grupo inglês One Direction marcados para lá em maio de 2014.

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