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Rugby 10/02/2015

Apesar da evolução do Brasil, rugby ainda leva pouco público a Barueri

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Brasil x França na Arena Barueri (João Pires/Fotojump)

Brasil x França na Arena Barueri (João Pires/Fotojump)

A edição de 2015 da etapa brasileira do Circuito Mundial feminino de rugby sevens mostrou fatos antagônicos: a seleção brasileira realmente está em evolução, mas até houve uma redução de espectadores de um ano para o outro quando se observa o número de espectadores presentes no estádio simultaneamente. O caminho de popularização do rugby no Brasil será longo.

O evento foi mais favorável ao público neste ano: diferentemente do de 2014, não houve cobrança de ingresso; desta vez os jogos aconteceram no sábado e no domingo – não na sexta-feira e no sábado –; as partidas acabaram antes das 19h em ambos os dias – não à noite –; houve mais atrações extracampo para os espectadores. E a qualidade do espetáculo no gramado foi a mesma: as melhores seleções do mundo competindo e se preparando para os Jogos Olímpicos de 2016.

Brasil x França na manhã de domingo em Barueri  (Andrei Spinassé/Esportividade)

Brasil x França na manhã de domingo em Barueri (Andrei Spinassé/Esportividade)

Apesar disso, o setor da Arena Barueri onde o público comum se concentrou estava visivelmente mais vazio em 2015 do que no evento do ano passado. O que aumentou bastante foi a concorrência: no mesmo fim de semana (dias 7 e 8 de fevereiro) havia em São Paulo blocos de rua, que também atraem público jovem, e Palmeiras x Corinthians no Allianz Parque.

“Quanto à logística, já aprendemos em 2014 e sabemos qual é o caminho das pedras”, disse ao Esportividade o CEO da Confederação Brasileira de Rugby, o argentino Agustin Danza. “O desafio hoje é fazer com que as pessoas se animem para vir ao estádio, assistiam aos jogos, se empolguem com o esporte.”

Para os paulistanos chegarem à Arena Barueri têm de pegar a Castello Branco e pagar pedágio ou um trem da CPTM até a estação Jardim Belval, 13 após a Palmeiras-Barra Funda. “A localização não ajuda os paulistanos, mas também cabe a nós tentar cativar o público daqui da cidade. Tentamos levar o rugby para diferentes pontos do Brasil”, declarou Agustin, segundo o qual o estádio barueriense é muito bom para o rugby e possui instalações adequadas para as seleções e os convidados.

Neozelandesas se apresentam diante de torcida na Arena Barueri (Andrei Spinassé/Esportividade)

Neozelandesas apresentam haka diante de torcida em arueri (Andrei Spinassé/Esportividade)

O presidente da CBRu, Sami Arap, disse estar satisfeito com a parceria com a Secretaria de Esportes de Barueri, liderada pelo ex-jogador de futebol Paulo Sérgio. “E a infraestrutura de Alphaville, onde ficam as atletas, é muito conveniente”, declarou.

De acordo com Sami, a estratégia de divulgação do evento foi baseada em redes sociais neste ano. A CBRu tentou ligar a etapa brasileira ao Carnaval e sugeria o uso de hashtags como “#rugbycarnaval” – à qual o público pouco aderiu – e a presença de espectadores fantasiados. O evento contou com uma apresentação musical no domingo (7). “Uma sacada muito legal é a presença do Sebá [vocalista do grupo de pagode Inimigos da HP], que foi jogador de rugby, defendeu a seleção brasileira.”

Brasil x Fiji na Arena Barueri (João Pires/Fotojump)

Brasil x Fiji na Arena Barueri (João Pires/Fotojump)

Sami afirmou que existe necessidade de quebra de esteriótipo: “Pensam o rugby como esporte de homem, macho, mas as mulheres jogam e bem”.

E a elas é dada uma atenção especial. “É um desafio logístico muito grande. Implica receber 11 seleções, e algumas vêm com mais de 30 pessoas – todas têm pelo menos 20. Temos de garantir a elas a melhor estrutura possível, porque o campo de jogo é só a ponta do iceberg. As equipes precisam ter campos de treinamento, de aquecimento. Durante janeiro grande parte da CBRu se dedicou exclusivamente ao evento”, afirmou Agustin.

Allianz Parque e Pacaembu

A CBRu chegou a conversar com o Allianz Parque, mas percebeu como o calendário do futebol atrapalharia o evento. “Precisamos do estádio por quase uma semana, pois há dias de preparação e de mudança de marcação”, disse Sami, de acordo com o qual ainda existe “uma lenda de que rugby estraga gramado”. “Falamos com o Allianz Parque para entendermos quais eram as condições e não conseguimos avançar por causa do calendário do futebol, o qual só é divulgado em janeiro”, completou Agustin. No dia 8, domingo da etapa brasileira, houve Palmeiras x Corinthians no estádio palmeirense.

O CEO ficou animado com a hipótese de o estádio do Pacaembu ser reformado por uma empresa, a qual poderia explorá-lo comercialmente por um período, mas ainda não se sabe se isso vai acontecer: “Recebemos essa notícia [do chamamento público] com bastante ânimo, porque significa que o estádio do Pacaembu, antes muito fechado para o futebol, agora, se tudo der certo, vai estar aberto para outras modalidades, outros tipos de eventos”.

Seleção brasileira

Paula Ishibashi, da seleção brasileira, com a bola (João Pires/Fotojump)

Paula Ishibashi, da seleção brasileira, com a bola (João Pires/Fotojump)

O rugby sevens será olímpico em 2016, no Rio de Janeiro. A seleção brasileira feminina mostrou ter condições de chegar ao menos às quartas de final, já que foi isso que conseguiu fazer em Barueri. No sábado (7), bateu Fiji e China e pela primeira vez se classificou como segunda colocada de grupo. Encerrou a etapa brasileira na oitava posição e ocupa a nona depois das de Dubai e Barueri. “O objetivo é a Olimpíada. Até lá subiremos passo a passo”, declarou Agustin. “Sem jogar você não evolui, então temos de fornecer a elas o melhor calendário possível de torneios. Somos inexperientes ainda.” As jogadoras da seleção olímpica já se dedicam totalmente ao rugby, e existe uma casa em que elas moram juntas em São Paulo.

Segundo Sami, ainda existe possibilidade de realização de uma etapa do Circuito Mundial masculino no Brasil em 2016, o que seria bom para a seleção nacional e também para as outras, servindo como aclimatação para os Jogos Olímpicos de agosto.

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