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Vôlei 10/02/2014

Campeão, Sesi ignora em final torcida osasquense e retrospecto negativo

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Suelle, do Sesi, tenta passar por Fabíola e Thaisa ( João Pires/FotoJump/Divulgação)

Suelle, do Sesi, tenta passar por Fabíola e Thaisa (João Pires/FotoJump/Divulgação)

Antes do primeiro apito do árbitro em 9 de fevereiro, domingo, havia muitos fatores contra o Sesi-SP na decisão do Campeonato Sul-Americano feminino de clubes de 2014. A começar pelo fato de não jogar em casa: apesar de se tratar de um torneio de sede única – esta o ginásio José Liberatti, em Osasco –, lá estavam os animadores de torcida osasquenses; só que os membros da Loucos de Osasco eram, como sempre, os maiores apoiadores da equipe local. Outro fator contrário ao time paulistano era o retrospecto: superado até com facilidade nas finais de Campeonato Paulista de 2013 e Copa Brasil de 2014 pelo mesmo Molico/Osasco, estava pressionado para ao menos dificultar a vida do adversário. O Sesi-SP fez mais do que isso: dominou a final sul-americana e garantiu presença no Mundial de clubes.

Quando o jogo começou, pôde-se notar claramente a diferença entre as duas outras finais e esta do Sul-Americano. A equipe osasquense, que buscava o quinto título do torneio, era a considerada titular, com Adenízia, Camila Brait (líbero), Caterina, Fabíola, Sanja, Sheilla e Thaisa. Mas estava irreconhecível: cometia erros e mostrava-se muito ineficiente no ataque e no bloqueio. Em compensação, o Sesi fazia tudo certo. Os 3 sets a 0 (25/21, 25/21 e 25/16) retratam bem como foi a partida. Com belas atuações ofensivas das ponteiras Dayse e Suelle (bem como defensivas), das centrais Ana Beatriz e Fabiana e da oposto Ivna e com levantamentos precisos de Dani Lins, a equipe feminina paulistana, criada em 2011, conquistou o título mais expressivo da sua história.

Ivna, do Sesi, ataca ( João Pires/FotoJump/Divulgação)

Ivna, do Sesi, ataca (João Pires/FotoJump/Divulgação)

Curiosamente, o Sesi só participou do Campeonato Sul-Americano de 2014 porque Osasco sediou a competição: como o Molico/Osasco foi campeão da Copa Brasil, mas já estava classificado por ser equipe da cidade-sede, uma vaga foi para o Sesi. Caso a competição tivesse acontecido em Barueri, por exemplo, Barueri e Molico/Osasco seriam os brasileiros na competição – e o Sesi, vice da Copa Brasil, não teria entrado. A Prefeitura de Osasco apoiou a competição, e o prefeito Jorge Lapas entregou troféus.

Segundo a oposto Ivna, maior pontuadora do jogo, a estratégia fez a diferença contra o time osasquense: “Tínhamos de esquecer esses jogos que fizemos contra elas, porque foram duas finais e perdemos as duas. Precisávamos fazer alguma coisa diferente. Sacar melhor, diminuir o número de erros, e foi isso que fizemos. Sabíamos que com o passe na mão da Fabíola seria complicado para nós. Foi tática de jogo”.

Fabiana passa pelo bloqueio do Molico/Osasco ( João Pires/FotoJump/Divulgação)

Fabiana passa pelo bloqueio do Molico/Osasco (João Pires/FotoJump/Divulgação)

A capitã do Sesi, Fabiana, que foi eleita a melhor jogadora da competição, ressaltou o espírito de equipe e o domínio das agora campeãs sul-americanas. “Sabíamos que a torcida pegaria no nosso pé o tempo inteiro, mas estamos acostumadas com isso. Fomos bem taticamente. Comandamos a partida o tempo todo”, afirmou.

Saíram de Suelle os saques que levaram o Sesi a abrir, na metade do terceiro set, uma grande vantagem sobre o Molico/Osasco. “Vi que o time delas estava pressionado e pensei em não forçar o saque e passar a bola para o outro lado para tentarmos o contra-ataque. Graças a Deus deu certo e conseguimos uma boa sequência”, declarou a ponteira. “Conseguimos fazer exatamente o que estudamos da equipe delas. Já conhecíamos tudo sobre elas, mas nós não tínhamos conseguido colocar em prática. Nas outras duas finais, entramos em quadra achando que eram muito melhores do que nós, as respeitando demais. Hoje entramos muito mais soltas, as respeitando ainda, mas com alegria. Nós fomos muito disciplinadas taticamente.” A curitibana resumiu: “Hoje era nosso dia”. A quase xará de Suelle, a líbero Suelen, também se destacou.

Dayse, do Sesi, e Sheilla e Thaisa, do Molico ( João Pires/FotoJump/Divulgação)

Dayse, do Sesi, e Sheilla e Thaisa, do Molico (João Pires/FotoJump/Divulgação)

Para o treinador do Sesi, Talmo de Oliveira, existe algo pela filosofia do Serviço Social da Indústria que importa mais do que primeiros lugares: “Nosso legado é muito maior do que obter um título. É claro que nós trabalhamos para vencer campeonatos, mas a missão é muito maior. Dentro do Sesi temos uma consciência muito grande de que nosso exemplo passa ser fundamental na vida dessas crianças [alunos do Sesi], na formação delas”.

Mas a Superliga feminina 2013/2014 continua: após 18 rodadas da primeira fase, o Molico/Osasco lidera a competição de maneira invicta. O Sesi, que teve uma má fase, mas se recuperou, está em quarto lugar. Aguarda recuperação total de atletas como Ju Costa, Mari Cassemiro e Pri Daroit para se fortalecer para a Superliga e o Mundial de clubes.

Na final do Sul-Americano, o ginásio José Liberatti estava mais vazio do que em Molico x Unilever de dezembro passado, jogo da primeira fase do torneio nacional vencido por 3 sets a 0 pela equipe da casa.

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