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Corrida de rua 20/10/2014

Maratona de SP: falta água, e atletas passam por apuros; ‘heróis’ os salvam

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Postos da marginal sem água durante Maratona de São Paulo (Divas que Correm)

Postos da marginal (km 34,1) sem água durante Maratona de São Paulo (Divas que Correm)

Os últimos quilômetros da 20ª Maratona Internacional de São Paulo foram de muito sofrimento para quem estava entre os últimos colocados. Além do calor cada vez mais intenso em 19 de outubro de 2014, eles tiveram de lidar com a falta de água a partir do quilômetro 30. Contaram, então, com desconhecidos para se hidratar. A Yescom, organizadora da prova, diz que até sobraram copinhos, no entanto.

O domingo em São Paulo foi quente. No meio da tarde foi registrada a temperatura de 35,8°C na estação meteorológica do mirante de Santana, na zona norte, a décima maior já marcada no local. A largada foi dada por volta das 8h – no primeiro dia do horário de verão –, e o calor só aumentou ao longo dos 42,195 km. Entretanto, segundo os relatos, o abastecimento de água só diminuiu.

A jornalista Tatiana Ferraz relatou umaluta por sobrevivência” do km 30 ao fim da corrida. “Ficamos à própria sorte”, disse ela. Assessorias esportivas, ciclistas e voluntários ajudaram os corredores amadores e deram um jeito de encontrar água para eles. “Um pessoal de bicicleta viu o nosso desespero e foi buscar água para nós em postos mais distantes”, afirmou. Quem estava de plantão nas ambulâncias deu sua própria bebida aos atletas. Pessoal de apoio de equipes de corrida entregou aos participantes água resultante de gelo derretido.

“A quantidade de água [nos trechos finais da maratona] foi insuficiente. Subestimaram a hidratação. ‘Esqueceram’ que ainda havia gente correndo e que essas pessoas precisavam de líquido. A grande maioria já havia passado por lá. Não é que desmontaram tudo e foram embora. Ficaram lá os cavaletes que serviam de suporte para a água, mas a água acabou e não houve reposição”, declarou Tatiana.

Quando passou pelo posto do km 31,5, a corredora viu gente já recolhendo os copinhos de plástico jogados no chão; constatou, no do km 34,1 (foto acima), não haver mais pessoas da organização lá diante dos cavaletes. Ambos os postos de serviço ficavam na marginal do rio Pinheiros, considerada pelos amadores o ponto mais crítico do percurso.

Apesar disso, Tatiana Ferraz conseguiu completar a prova 6h07min44s após sua passagem pelo pórtico de largada. Finalizou a corrida, portanto, antes das 14h15. A estrutura do evento seria desmontada a partir das 15h.

Minimizando o sufoco

Maratona de São Paulo de 2014 (MidiaSport)

Maratona de São Paulo de 2014 (MidiaSport)

O maratonista Luis Eduardo Tavares, que chefia uma equipe de corrida de rua, posicionou voluntários nos quilômetros 25 e 35 para auxiliar seus atletas, aos quais eram oferecidos alimentos, como azeitona sem caroço, batata doce e frutas, e bebidas. “Passei a recomendação aos voluntários de que, caso os demais necessitassem, podiam ser ajudados”, disse. “Eu fui informado no meio da corrida que estava acabando a água no trecho final, basicamente no km 32. O pessoal estava desesperado, pedindo ‘pelo amor de Deus, água’. E disse ao pessoal que não deveria negar. Eles deram todo esse apoio.” Até o gelo derretido da Tavares (70 kg) foi usado para o combate à desidratação de atletas. Três ciclistas voluntários também integravam o time.

De acordo com Tavares, três fatores contribuíram para a situação desagradável vivida pelos participantes da Maratona de São Paulo: o horário de largada, 8h, que deveria ser antecipado; a falta de preparo dos que ficam nos postos para reposição de copos de água; o “fator marginal” subestimado, pois se trata de um trecho de 10 km, do quilômetro 27 ao 37, em que se tem uma sensação “desértica” em um momento complicado da corrida.

Outro lado

Largada da Maratona de São Paulo de 2014 (MidiaSport)

Largada da Maratona de São Paulo de 2014 (MidiaSport)

Questionada pela reportagem do Esportividade sobre a falta de água, a assessoria de imprensa da empresa organizadora, a Yescom, respondeu desta forma: “Sobraram 120 mil copos dos 420 mil destinados, mostrando que a organização estava preparada para a alta temperatura. No percurso ainda havia Gatorade e, na chegada, até água de coco”.

Clique aqui e confira quais eram os percursos do evento.

Comentários


  • Giovani disse:

    Na marginal pinheiros, faltou agua quem esteve la sabe disso e sofremos, pois era um trecho longo e ao final ainda tinha uma rampa de acesso para subir, sem agua e ja cansados foi bem dificil a Oeganização é desumana, quando a TV e a Elite vão embora, eles não querem nem saber da grande massa que fica.

  • Poneis disse:

    Como pode um evento Internacional na maior cidade da America Latina pra aquele que completou a prova mais de 4hrs e meia não tinha mais água apos aos 30k. Já pagamos um absurdo os valores da corrida e um evento desse porte não pode ter esse tipo de falha no calor e ar seco. A organização ficou devendo muito.. um ponto a menos pra yescom.

  • Nelson Mandela disse:

    A seca em SP é tamanha mesmo!!!

  • Francisco Roberto Fausto disse:

    Completei a prova em 3h20′ e quando passei pelo trecho da marginal, já haviam alguns postos de hidratação com os copos sem estarem no gelo e os voluntários distribuindo água praticamente morna!! Yescom nunca mais!!!

  • Ricardo Pina disse:

    A organização da Maratona de SP é uma vergonha. Este ano não corri, mas muitos amigos correram e relataram extamente os problemas apontados acima. O calor foi muito forte e não havia hidratação suficiente. Em alguns trechos serviam água quente!!!
    Yescom cobra caro a inscrição para o que oferece de apoio aos atletas.
    Lamentável

  • Valéria Terena Dias disse:

    Corri os 25 Km da Maratona Internacional de São Paulo, com o tempo de 3 h e 23 min. Foi duro.
    Horário de largada muito tardio para a corrida e o calor que estava fazendo (28º na largada).
    O túnel que liga a Av. Juscelino Kubitschek ao Jockey sem os ventiladores ligados, com os corredores tendo de respirar monóxido de carbono concentrado, e alguns mal educados ainda fizeram xixi.
    A partir do terceiro posto de hidratação a água estava quente.
    O posto de Gatorade, localizado no Km 19 da corrida, quando eu passei já não tinha mais isotônico.
    Pra finalizar nunca vi tantos atendimentos médicos numa corrida como vi nesta. Pessoas sendo socorridas pelos médicos, por assessorias, por outros corredores. E, as causas do atendimento não eram quedas, ou problemas musculares, eram em sua maioria pessoas passando mal por causa do calor e da falta de hidratação.

  • Jorge Iran Silva Rodrigues disse:

    Acredito que não faltou água no final de prova como a yescom comentou no texto acima, porém faltou reposição nos lugares críticos da prova que era na marginal. Eu estava auxiliando os alunos da assessoria e pude perceber esse problema. Enfim espero que na próxima maratona as dicas do treinador Tavares sejam colocadas em prática.

  • debora duru disse:

    Os trechos finais da prova foram cruéis para quem concluiu a prova em mais de 4:30. Na marginal, alem dr distantes os postos vde hidratação não estavam sendo repostos e os staffs estavam recolhendo. Uma vergonha! Agua morna em um trecho que mais parecia uma panela de pressão. Um integrante da equipe que participo ajudou muitos corredores de bike. Indo r voltando com hidratação para quem estava la. Quando ele chegava parecia um oasis no meio daquele calor. A estrutura desta prova, que alem de tudo é internacional, deve ser revista, bem como seu horário de largada.

  • Eloa disse:

    Gente correr uma maratona precisa muito preparo e o que pude perceber eram pessoas passando mau por não aguentar uma prova tão dura se ha um vilão nessa prova foi o calor insuportável…

  • Carlos Eduardo disse:

    Isso é uma grande verdade, o maior vilão com certeza foi o calor do Saara que resolveu fazer na cidade, vi algumas pessoas com três ou quatro copos na mão no meio do percurso tentando se refrescar sem sucesso é claro!

  • Sergio Donizete Mathias disse:

    Bom dia,
    Eu também esta na maratona e completei em 04:09 poderia ter feito um tempo melhor, mas o calor realmente minou nossas forças, pelos seguintes erros.
    Horário: largar as 08 para maratona e inviável, as 10:00 os termômetros marcavam 35 graus na marginal pinheiros.
    Hidratação: na minha faixa não tive problema, mas pude observar que pelo calor corredores pegavam 03 copos cada e a equipe de apoio estavam dando agua até para motoristas na marginal, é logico que assim a agua acaba antes dos corredores.

  • […] Na largada dos 42k com 34graus eu estava com muita dor e pensando: "passei por todos aqueles longões, me lesionei, senti muita dor, chorei, me deprimi. Agora que estou aqui, só faltam 42k!" A jornada para estar ali naquela largada foi longa e sofrida demais. No km 3 entrei num túnel quente e sem ar pra respirar. Minha pressão caiu, quase desmaiei. Fui me arrastando até o km 4 onde tinha água. Sentei no cordão da calçada, tomei água e me molhei bastante. (Único posto de hidratação com água gelada. Os demais todos ou eram água temperatura ambiente 40° ou sem água). Uma guria parou para me ajudar e disse: "mullher, tu devia desistir. É o km 4 e tu tá mal." Eu disse: "Mas amiga, agora faltam só 38k. Não vou desistir." Ela abriu um sorrisão e disse: "Isso ae!! Boraaa!" Corri e caminhei ao longo dos 42k mancando e chorando. Fazia quase 40°, não tinha água nem comida. Aqui uma reportagem: http://www.esportividade.com.br/maratona-de-sp-falta-agua-e-atletas-passam-por-apuros-herois-os-salvam/ […]

  • […] a solução de abastecimento de água ideal para seus maiores eventos – como você lê em Maratona de SP: falta água, e atletas passam por apuros; ‘heróis’ os salvam, não foi a primeira falta de água em uma prova dela. Depois da São Silvestre, foram tiradas […]

  • Luciano Passos disse:

    Corro frequentement na Holanda pagando no máximo 20 Euros para corridas de distancia semelhante. Não falta água, nem “Gatorade” nem frutas no final. Tem sempre a medalhinha também. Não tem nenum pipoca. Mas afinal, existem os pipocas porque a inscrição é muito cara ou a inscrição é muito cara porque existem os pipocas???

    Corri a S. Silvestre 2016 pela primeira vez e me senti roubado porque passei muita sede. Não sei se fui roubado pelos pipocas ou pela YESCOM. Esse ano estou pensando em correr como PIPOCA, mas vou levar minha mochilinha com água, suco e barras de ceral. FORA YESCOM e VIVA o esporte e a festa.

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