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Corrida de rua 27/07/2020

Necessária, máscara reduz desempenho e gera desconforto em teste de corrida

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade

Corredora de máscara no parque da Aclimação (Esportividade)

Correr de máscara em parques, ruas e academias paulistas é necessário, podendo até resultar em multa para quem não cumpre o decreto estadual, mas não é confortável para a grande maioria das pessoas, e o desconforto aumenta à medida que o treino fica mais intenso. Se você se sente assim, você não é o único. Um estudo conduzido pelo fisiologista do exercício Danilo Marcelo do Prado com atletas – no laboratório de fisiologia da Ultra Sports Science – mostrou que velozes corredores também têm essa sensação.

Foram testados três diferentes modelos de máscara, e, apesar de algumas terem sido menos prejudiciais para o desempenho que outras, o corredor Marcsuel Costa disse não haver uma boa: “Existe menos pior”.

Durante uma “live” com o treinador Francisco Duran, da KiKo Treinamento Esportivo, o fisiologista do exercício afirmou não recomendaria que um atleta encarasse distâncias maiores que 15 km fora de uma esteira caseira, onde ainda é possível correr sem máscara.

“É muito complicado fazer uma meia ou uma maratona com a máscara por uma questão termorregulatória; é muito desconfortável”, disse. “Sugiro que as empresas que fabricam máscaras sintéticas desenvolvam um material cada vez mais eficiente quanto à termorregulação. Muitos relatam que o desconforto é o aumento da temperatura do microclima [resultante do espaço entre a face e a máscara].”

A mudança do padrão respiratório também gera complicações. “Em vez de puxar o ar mais rapidamente, você começa a puxá-lo de um modo mais profundo. Essa inspiração profunda pode gerar [maior] desgaste da musculatura e aumentar a percepção de cansaço”, declarou Danilo, que não acredita em acúmulo de CO2. “[O que atrapalha é] temperatura aumentada e sobrecarga na musculatura inspiratória.”

Afinal, qual é a “menos pior”?

Correr de máscaras em parques é obrigatório (Esportividade)

Em um teste realizado na esteira, a velocidade era aumentada a cada dois minutos. Sem máscara, Marcsuel Costa conseguiu chegar a 20 km/h; com a N95, que não é recomendada para a prática esportiva, a 16 km/h; com a TNT e a Knit Fiber, a 18 km/h. Houve um declínio de rendimento em altas intensidades com todas as três: de 33% com a primeira, de 17% com a segunda e de 15% com a terceira.

Apesar disso, por causa da pandemia de covid-19, o atleta Marcsuel Costa incentiva a utilização de máscara: “Correr sem máscara é maravilhoso, mas precisamos correr com ela em respeito às pessoas”.

Outros estudos serão feitos para mensurar a adaptação de corredores à máscara após alguns meses treinando dessa forma.

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