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Handebol 20/04/2016

Projeto voluntário na Lapa faz ‘ellas’ terem hand e atrai técnico do Brasil

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Ricardo Santos, Morten Soubak e Carlos Casalino (Andrei Spinassé/Esportividade)

Ricardo Santos, Morten Soubak e Carlos Casalino (Andrei Spinassé/Esportividade)

Diante das dificuldades que um apaixonado por uma modalidade esportiva não muito popular enfrenta, às vezes a melhor solução é ele arregaçar as mangas e fazer a diferença sem esperar por ações governamentais ou de empresas. Graças a uma iniciativa individual e voluntária, garotas paulistanas passaram a ter onde e como treinar handebol gratuitamente na Lapa, na zona oeste de São Paulo.

Notando o interesse de suas filhas e das amigas delas pela modalidade, Carlos Casalino, formado em educação física, mas sem atuação profissional na área atualmente, decidiu treiná-las por conta própria. E, até conseguir um horário no Centro Educacional e Esportivo Edson Arantes do Nascimento, o Pelezão, foi a diversas escolas da região em busca de uma quadra, mas a resposta foi a mesma em todas elas.

“Solicitei o uso de quadras da colégios da região aos fins de semana e até me prontifiquei a pagar a segurança, mas não teve negócio”, contou. “Graças a Deus que o Ricardo [Santos, coordenador do centro esportivo municipal] me deu essa oportunidade, senão eu não estaria aqui realizando esse sonho.”

O que inicialmente era um time amador, o Ellas, tornou-se um projeto mais abrangente, contando acom o apoio do treinador da seleção brasileira, Morten Soubak, campeão mundial em 2013 com o Brasil. O dinamarquês fez questão de conhecer o Pelezão na semana passada e saber melhor sobre a iniciativa de Carlos. Os dois se conheceram durante um curso ministrado pelo europeu em setembro de 2015.

“Para mim não interessa quem faz: se é uma empresa, uma prefeitura, o Carlos… O que importa é que [algo] é feito – e bem-feito”, afirmou Morten.

Morten com meninas do Ellas (Andrei Spinassé/Esportividade)

Morten com meninas do Ellas (Andrei Spinassé/Esportividade)

Carlos lamenta o fato de a modalidade ser preterida nos colégios da Lapa, mas ainda assim quer dar sua contribuição ao treinador e às meninas que gostam do jogo. “O handebol não é muito divulgado em escolas da região; praticamente só nas de elite encontramos a modalidade, porque existe nelas uma quadra, uma estrutura. E em colégios municipais e estaduais está muito difícil [achá-lo]. O Morten, lá na ponta da pirâmide, no alto rendimento com a seleção brasileira, precisa também de um início, pois lá na frente ele vai poder utilizar jogadoras com mais preparo. Minha intenção é proporcionar o hand para quem não teve oportunidade”, disse. Ele conta que, na escola de uma das filhas, houve a troca do handebol pela queimada.

A nova fase do Ellas abrange quatro faixas etárias: de oito a 12 anos, de 13 a 16 anos, de 17 a 29 anos e a partir de 30 anos. As interessadas devem entrar em contato com Carlos. O treinamento em si é gratuito, mas há uma divisão do custo das bolas, por exemplo, entre as jogadoras.

“Outra proposta é levarmos cursos para profissionais de educação física – tanto de arbitragem como de treinador. Vamos tentar proporcionar isso para a cidade de São Paulo. Pensamos também em uma pós-graduação na capital paulista. Um quarto curso seria de preparação física especializada”, declarou Carlos, segundo o qual todas essas suas ações são por amor ao esporte, sem interesse financeiro algum. Ele tomou a iniciativa de contratar pintores para fazer as marcações de handebol nas quadras externas do Pelezão.

Apesar de o Brasil ter sido campeão mundial feminino em 2013 e de, segundo Morten, São Paulo ser o Estado brasileiro com mais handebol, este ainda está longe de poder ser chamado de esporte popular. “Não vejo que o handebol no Brasil deu um salto – ‘agora todo mundo joga’. Mas aumentou a atenção dada à modalidade pelos patrocinadores, pelo Ministério do Esporte, pelo COB”, disse o dinamarquês, que contou que em seu país há um “ginásio de 40×20 metros de madeira em cada aldeia”.

No entanto, iniciativas como a de Carlos contribuem para que a modalidade seja mais jogada por aqui – nem que seja com objetivos que não sejam o do alto rendimento em um primeiro momento.

Para meninas que queiram fazer parte do Ellas:
Falar sobre o Ellas com Carlos Casalino
E-mail: [email protected]
CEE Edson Arantes do Nascimento
Rua Belmonte, 957; Bela Aliança

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