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Diário de Ferro 06/11/2013

A jornada até a Fuga das Ilhas, travessia aquática na Barra do Sahy

Por Gab Barreiros

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Depois de fazer pela primeira vez a prova de 1 km na penúltima etapa do Circuito Paulista de travessias, só me restava a última etapa para poder competir na de 500 m e também na de 1 km para me sentir minimamente preparada para a Fuga das Ilhas, que aconteceria em dezembro, com 1,5 km.

O mês passou, acompanhado de uma ansiedadezinha, que só aumenta depois que você faz a sua inscrição. Até que chega o dia de “resolver isso”.

A primeira prova é sempre a de 1 km, a segunda é a de 500 m e, por fim, a de 3 km, para os fortes. Assim, fiz primeiro a de 1 km, confirmei o que eu havia percebido na etapa anterior: a prova de 1.000 m é muito mais tranquila que a de 500 m – cheguei em segundo lugar. Desse resultado você toma conhecimento logo que sai da água. Na dos 500 m, peguei quarto lugar. Estava bom para os meus primeiros 1.500 m (não contínuos, mas no mar).

Agora, precisava me preparar para a Fuga das Ilhas! Já tinha passado da metade de novembro, havia menos de um mês para a Fuga, e estava na hora de começar a procurar uma pousada, certo? Errado! Já tinha passado da hora de procurar uma”

A Fuga das Ilhas, para quem não sabe, é uma das provas mais divertidas – de que eu tenho conhecimento –, pois você pega uma escuna, vai para uma ilha em frente à Barra do Sahy e, quando é dada a largada, todos voltam a nado para a praia. Por essa razão, essa prova reúne cerca de 3 mil pessoas (pelo o que é divulgado pela mídia) – não participam só os nadadores de circuito de águas abertas, participam todos os tipos de pessoas – que conseguem minimamente concluir os 1.500m.

Ok, 3 mil pessoas, na Barra do Sahy, faltando menos de um mês para a prova, você acha MESMO que haveria pousada disponível, dona Gabriela? Então, não, né!? Tá vai, “ter até tinha”, mas por preços impagáveis. Ah, sim, e também não na Barra do Sahy, nas praias em volta, o que não seria um problema – se houvesse.

Eu estava no Guarujá, na casa da minha mãe, fazendo essa busca de pousadas, quando então decidi! “Não vou mais!” A inscrição está paga? Sim E daí? O que eu posso fazer? Já tinha ligado para todas as pousadas da região, um site indicava-me que a pousada mais perto do Sahy, pelo preço que eu podia pagar e que ainda tinha vagas disponíveis, ficava no… Guarujá!

Ideia brilhante parte dois: se é para sair do Guarujá, fico na casa da minha mãe e arranjo um ônibus para lá. Eu ainda não sabia que horas seria a minha largada, mas sabia que, se fosse às 8h, eu não arranjaria ônibus nenhum para lá que chegasse a tempo.

Foi aí que, por milagre, apareceu uma pousada em Camburi, chamada Vila Atlantica Inn. Liguei lá:

– Tem quarto disponível para o final de semana do dia 01 de dezembro?
– Tem sim!
– Tem mesmo?
–Teeeeem!
– Mas é a Fuga das Ilhas, tem certeza de que tem?
– Tem!

Eu não sei como essa gente de hotel consegue manter a boa educação, mesmo quando uma louca liga.

– Como eu faço? Quero reservar agora! Reserva para mim, não posso perder, onde eu assino? Como eu pago?
– É só depositar 50% do valor na conta e sua reserva está feita.

E foi assim, fiz o depósito, mandei e-mail, tudo confirmado, e ai, três dias depois, meu treinador me avisa (superempolgado) que conseguiu trocar as folgas dele e que, portanto, iria comigo para a Fuga das Ilhas. Ai, minha nossa senhora das pousadas, vai recomeçar a novela…  Mas com mais 30% do valor consegui colocar mais uma pessoa na reserva.

Confesso que até o dia de chegar na pousada eu não acreditava que ela existia, achei que dormiria na sarjeta. Afinal, como pode? Uma pousada barata e perto do Sahy ainda estar disponível? Mas eu não estava em posição de questionar nada.

Minha chegada na pousada aconteceria um dia antes da Fuga das Ilhas; saímos do Guarujá ainda de madrugada e fomos de ônibus para lá. Passando por Juquehy, a janela do outro lado do corredor, na minha direção, toma “um tiro” e o vidro começa a estilhaçar. Lembrei na hora do filme “Babel”, sabe? Aquele com o Brad Pitt? Não sabe? Então veja, é bom!

Aí alguém lá no fundo grita “deita todo mundo do chão”, “Ai, meu Deus, como Juquehy está violento!”. O ônibus não parou, vai que era assalto. Seguimos viagem, com a janela se desfazendo pelo caminho, mas chegamos bem.

Acredito até hoje que não foi tentativa de assalto, deve ter voado uma pedrinha do asfalto e estilhaçou o vidro da saída de emergência. Acredito também no coelhinho da pascoa e na rena do papai noel! Mas não interessa. O que interessa é que chegamos bem. E a pousada? Sim, ela existe! Deu tudo muito certo! Virei fã!

Ao chegar lá, soube que eles tinham ficado sem sistema de comunicação por um período e, por essa razão, naquela altura do campeonato (meados de novembro) eles ainda tinham quartos disponíveis. Milagre para os atrasados, não é mesmo? Em poucos dias, depois que voltou o sistema, eles já estavam lotados, pois no mesmo fim de semana rolava, na praia da Baleia, um outro evento esportivo, que movimentava a região… Nunca vi tanto atleta hospedado em uma única pousada.

No dia seguinte era a Fuga das Ilhas; café da manhã reforçado na pousada e “bora” para Sahy! Minha largada era a última. Mulher só “se ferra”, sai por último, quando o mar já está mexido… Aquela alegria. Pelo menos a gente pode dormir um pouco mais (risos).

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Eu estava muito preocupada… Quando eu era criança eu não podia colocar o pé numa escuna que eu já ficava enjoada. E agora? E se eu chegar à ilha passando mal? Mas “netuno” ajudou. O mar não estava com muita ondulação, eu cheguei ótima na ilha, pronta para começar a rodar os bracinhos!

A prova tem pontos fortes e pontos fracos. A organização e a pontualidade foram pontos fortes: no horário previsto pegamos a escuna.

O sistema de chip também foi um dos pontos fortes: na hora em que você passa da linha de chegada, o seu tempo para. Isso parece lógico, mas, em outras competições, você só para o seu tempo depois de entregar o chip para o staff. Pegando fila para chegar ao staff, você acaba aumentando o seu tempo em uns cinco minutos (só de fila), o que torna impossível o controle real do seus tempos.

 O direcionamento foi um dos pontos fracos. Havia, se não me engano, apenas três boias ao longo do percurso, sendo que a última não estava cumprindo função nenhuma, pois ela estava tão perto da praia que era mais fácil se basear no pórtico de chegada do que ficar procurando ela. Assim, foi difícil manter a navegabilidade sem ponto de referência. Acredite, uma praia inteira não serve como ponto de referência, principalmente para os inexperientes! E, olha, essa prova atrai muita gente sem experiência de mar.

Acho que acabei abrindo demais, nadei muito além dos 1500 m (muita gente estava reclamando disso). Mas foi uma delícia, foi uma prova muito gostosa de se fazer! Prova com sentido, sabe? Às vezes cansa dar volta em boia!

O seu tempo de prova chega no mesmo dia por mensagem de celular – ponto forte. Mas o ranking eu estou esperando até hoje – ponto fraco. Pelo site, é possível saber que eu fiquei em 33º na minha categoria, mas quantas havia na minha categoria? Xis. É possível saber também que eu fiquei em 103º no geral. Mas o que é o geral? São as 3 mil pessoas que a mídia divulgou?

Mandei e-mail para a organização e até hoje eu estou esperando eles responderem…. Portanto, se você é uma pessoa competitiva, provavelmente você se frustre com essa prova. Mas, se você quer só se divertir, eu recomendo! Mas tenha noção de natação no mar, pois a quantidade de boias pode ser desesperadora para que não está habituado a nadar em águas abertas. Digo isso não só pelo que eu vivenciei, mas pelo o que eu ouvi no dia da prova, das outras pessoas.

O povo não sabia para que lado ir… Em um desespero de querer voltar, olhou para trás e viu que a ilha estava tão longe quanto a praia, e só restava a ele continuar. Fonte: conversa do guarda-sol ao lado.

Ja estou inscrita na Fuga das Ilhas de 2013, pois realmente achei essa prova legal, só espero que meu e-mail para a organização tenha servido para eles organizarem o ranking deste ano, pois assim, além de ser uma prova legal de participar, se torna uma satisfatória para quem é competitivo também.

E, assim, conclui com êxito meu ano de 2012! Com os braços doloridos, mas feliz! Para 2013, tinha decidido fazer o Circuito Paulista de travessias inteiro, para fazer ranking.

Sobre Gab Barreiros

Designer, cenógrafa e principalmente amante de esportes aquáticos.

Sobre o blog Diário de Ferro

O Diário de Ferro (diariodeferro.com) é um espaço inteligente e criativo para todos os amantes do esporte. Com diversos colunistas em várias áreas, são desenvolvidos debates, discussões e troca de experiências dentro do mundo esportivo. Além disso, acompanhe nossos diários e fique por dentro da forma como pessoas diferentes se relacionam com o esporte, sejam atletas ou entusiastas. Semanalmente o Esportividade publica textos do Diário de Ferro como este que você acabou de ler.

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