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Corrida de rua 13/06/2016

Análise: retirar kits para terceiros ainda é tarefa com excesso de burocracia

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Chegada da Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama-2016 (Andrei Spinassé/Esportividade)

Chegada da Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama-2016 (Andrei Spinassé/Esportividade)

O excesso de burocracia, que, segundo pesquisas, é um dos entraves do país, também afeta as corridas no Brasil. Quem já precisou buscar kits para terceiros sente-se, em muitos casos, como se estivesse tirando uma segunda via de algum documento em uma repartição pública. Tentando se proteger de fraudes e processos, mas ainda sem investimento suficiente em tecnologia, algumas empresas organizadoras utilizam procedimentos que podem ser benéficos à companhia, mas que custam tempo, dinheiro e paciência aos atletas.

No sábado passado, 11 de junho, havia mais fila para se tirar fotocópia em uma gráfica da rua Manoel da Nóbrega, na zona sul de São Paulo, do que na retirada dos kits da etapa paulistana da Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama de 2016.

Quem estava nessa fila não havia se dado conta de que o regulamento dizia que, para terceiros retirarem o kit, era necessária a apresentação de uma cópia simples do documento do atleta, que ficaria retido na entrega de kit, além de uma autorização que devia conter os dados do atleta, os do terceiro e o nome do evento; de documento de identidade original com foto do terceiro; e do comprovante de pagamento e (regulamento diz “e” em vez de “ou”) do boleto bancário pago original.

Houve pessoas que levaram o RG original, não uma cópia simples, e precisaram ir à gráfica, que ficava a cerca de 400 metros do local da entrega do kit. E a Yescom, a organizadora do evento, não se responsabilizava pela fotocópia do documento do atleta inscrito, e esta fica retida pela organização.

Fora do país são vistos procedimentos muito menos burocráticos. A New York Road Runners, organizadora da famosa Maratona de Nova York, deixa claro que, em grandes eventos, como na badalada prova de 42,195 km, não existe entrega de kit para terceiros.

Em corridas menores, como a NYRR Queens 5K de 18 de junho, no entanto, a NYRR permite que outra pessoa faça a retirada sem sequer mostrar o RG do inscrito. Ressalta que a exibição do QR code (código de barras que pode ser escaneado por telefones celulares) do terceiro é o método mais rápido, mas também deixa de prontidão seu pessoal para procurar pelo inscrito por nome completo e data de nascimento.

Não é possível aplicar, porém, totalmente esse procedimento norte-americano aqui no Brasil. O Estatuto do Idoso brasileiro prevê o desconto de 50% para pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, e nesse caso é difícil imaginar que não seja necessária uma comprovação de identidade e idade na retirada do kit desses beneficiários. Entretanto, em outros casos, a simplificação das etapas pode e deve acontecer, e com a ajuda da tecnologia – do QR code, por exemplo – as empresas organizadoras deveriam fazer sua parte no combate a fraudes, mas não à custa da praticidade dos corredores.

Diz um relatório da Confederação Nacional da Indústria que foi apresentado em julho de 2015: “Na opinião dos brasileiros, a redução da burocracia deve ser uma das prioridades do governo. Ressalta-se que a população reconhece a importância da burocracia, na medida em que ela estabelece regras que inibem desvios de conduta. Para a população, o que prejudica o país é o excesso de burocracia em função da redundância de exigências e procedimentos”. Isso se aplica às corridas também.

No caso da Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama, cuja causa era nobre e que levou, apesar do domingo bastante frio, muita gente à região do parque do Ibirapuera – havia 11 mil inscritos entre corredores e caminhantes –, o próprio inscrito deveria apresentar para a Yescom documento com foto, comprovante de pagamento ou boleto bancário pago original.

Procurada pelo Esportividade por meio da assessoria de imprensa, a Yescom não deu explicações sobre o procedimento adotado.

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