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Futebol 01/04/2022

Cenário atual do futebol feminino nos países da América do Sul

Por Esportividade

Jogo feminino de futebol (Pixabay)

As seleções femininas sul-americanas de futebol brevemente terão chance de mostrar sua força em uma das competições mais importante das Américas – a nona edição da Copa América feminina acontecerá na Colômbia entre 8 e 30 de julho de 2022.

A Copa América feminina promete movimentar o cenário esportivo do continente, que é a terra sagrada da bola, mesmo para as mulheres. Quanto à audiência, a expectativa é que haja quebra de recordes e números expressivos de transmissões. Os torcedores que gostam de assistir aos jogos e apostar em futebol também já estão montando os seus palpites – e se você for um deles, leia este artigo antes de o campeonato começar.

O principal torneio de futebol feminino da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) permite a classificação para a Copa do Mundo de 2023, que será disputada na Austrália e na Nova Zelândia. Além disso, será distribuído um prêmio de 500 mil dólares (cerca de R$ 2,4 milhões) para cada seleção participante.

Os dez países que podem participar do torneio na Colômbia são: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Até agora, a hegemonia é brasileira, pois as atletas que vestem a camisa canarinho já conquistaram sete títulos, sendo três deles nas três edições mais recentes.

O futebol feminino no caminho do empoderamento

Ainda não se pode dizer que ser jogadora de futebol para uma mulher sul-americana é algo fácil, tampouco que já se alcançou a tão almejada igualdade de gênero na modalidade. Mas as atletas ganham cada vez mais espaço e o entusiasmo pelos torneios femininos está em ascensão na região.

Hoje, a situação do futebol feminino na América do Sul ainda é cheia de contrastes, mas se nota cada vez mais jogadoras profissionais, mais seguidores do futebol feminino e o crescente interesse de grandes marcas em patrocinar as atletas das equipes. Até os salários das jogadoras nas ligas profissionais estão aumentando, mas ainda são escandalosamente mais baixos se comparados aos dos jogadores homens.

Brasil, Chile e Argentina têm se colocado na vanguarda do futebol feminino na região, embora ainda tenham problemas graves, como machismo dentro dos clubes e disparidade salarial. Por sua vez, o futebol para mulheres em Bolívia, Equador e Peru beira o amadorismo.

Brasil mostra solidez em seus projetos

Até pouco tempo atrás, o Brasil era um dos países mais radicais em relação ao futebol feminino. Na linha do tempo, de 1941 a 1979, um decreto-lei nacional não permitia a prática da modalidade por mulheres devido às “condições de sua natureza”. A partir do momento que esse decreto foi abolido, as atletas brasileiras voltaram a encontrar uma liberdade parcial dentro do campo.

Mas a seleção feminina só começou a se destacar em 1991, quando participou da primeira Copa do Mundo da Fifa e foi a nona colocada (a seleção dos Estados Unidos foi a campeã). Depois veio a fabulosa geração de Marta, Formiga e Cristiane, que deu ao país seus resultados mais importantes, como o vice-campeonato mundial em 2007 e duas medalhas de prata nos Jogos Olímpicos de verão em Atenas-2004 e Pequim-2008.

Atualmente sob o comando da sueca Pia Sundhage, a seleção brasileira tem dois jogos amistosos confirmados para este mês de abril – enfrenta a Espanha no dia 7, em Alicante (ESP), e a Hungria no dia 11, em San Pedro del Pinatar (ESP). Os confrontos servem como preparação para a Copa América-2022.

A chegada de Sundhage reflete a nova dimensão que deve ser impressa ao futebol feminino no Brasil – priorizar as categorias de base, essenciais para a evolução de qualquer modalidade esportiva. E os resultados já são colhidos. Em uma campanha brilhante, com 100% de aproveitamento, a seleção brasileira sub-17 venceu a colombiana por 1 a 0 na rodada final do Campeonato Sul-Americano sub-17, jogo que aconteceu em 19 de março de 2022.

Panorama do futebol feminino na América do Sul

Assim como as brasileiras, as jogadoras colombianas e argentinas vêm conquistando importantes títulos, mas muitas preferem atuar em clubes do exterior. As que ficam em seus países reivindicam melhores salários, melhor ambiente de trabalho e uma gestão mais regular dos campeonatos internos.

Para a liga feminina peruana o panorama continua sem muitas perspectivas favoráveis. Muitas atletas reclamam das condições precárias dos campos onde são realizadas as partidas, da falta de remuneração e da ausência de interesse em transmitir os jogos. Embora seja classificado como amador, o Campeonato Peruano dá vaga à Libertadores, um dos projetos de destaque no continente.

Por sua vez, no Chile, as próprias jogadoras fundaram a Associação Nacional de Jogadoras de Futebol, um modelo de sindicato que tem como objetivo lutar pelos direitos de atletas mulheres viverem do futebol com dignidade.

Em 2019, durante a Copa do Mundo, foi registrado na Argentina o recorde de audiência para uma partida da seleção feminina. A recente Copa Libertadores feminina de 2021 ultrapassou 700 mil interações nas redes sociais. Isso mostra que o público latino-americano está definitivamente disposto a se envolver no futebol feminino. É hora de os dirigentes entenderem que o futebol é um espaço tanto para homens como para mulheres – nas mesmas condições.

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