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Vôlei 21/01/2015

Idolatria por Jaqueline faz paulistas torcerem por Minas no Pinheiros

Por Andrei Spinassé, editor do Esportividade
Jaqueline, ponteira do Camponesa/Minas (Divulgação/Minas Tênis Clube)

Jaqueline, ponteira do Camponesa/Minas (Divulgação/Minas Tênis Clube)

Em um jogo de vôlei entre Esporte Clube Pinheiros e Minas Tênis Clube realizado na zona oeste de São Paulo, seria natural que a maior parte da torcida apoiasse a equipe paulistana, ainda mais quando esta passa por uma ótima fase. Não foi isso, no entanto, o que aconteceu no dia 20 de janeiro de 2015. A maioria dos torcedores paulistas vibrou mais com pontos do Minas que os do Pinheiros e comemorou a vitória do clube mineiro por 3 sets a 2. A razão disso foi a presença de uma bicampeã olímpica, Jaqueline, no elenco dos visitantes. O “Jaque FC” foi maior que qualquer bairrismo e lotou o ginásio pinheirense em uma quente noite de terça-feira. Houve até paulistas cantando “Minas, Minas”.

Não faltavam motivos para a torcida apoiar o Pinheiros: a equipe paulistana havia acabado de ser campeão da Copa Banco do Brasil, um título nacional inédito para o clube, depois de, em 16 e 17 de janeiro, vitórias sobre os finalistas da Superliga feminina 2013/2014, Rexona-Ades e Sesi-SP, em Cuiabá (MT). O time comandado por Wagão, além disso, é formado por jovens jogadoras em que se aposta muito para o futuro – até mesmo da seleção brasileira –, como a oposto Rosamaria e a levantadora Macris.

Assista ao último ponto da partida, que foi marcado por Jaque:

Mas o fator Jaqueline ainda é mais forte. Diferentemente do habitual, o ginásio poliesportivo pinheirense encheu antecipadamente, e já nos primeiros pontos se pôde perceber o porquê.

A ponteira titular da seleção brasileira defendia o Sollys/Osasco até a final da Superliga feminina 2012/2013, mas necessitou fazer uma pausa na carreira durante a gravidez. Arthur, filho dela e do também ponteiro Murilo, nasceu em dezembro de 2013, e a jogadora voltou a treinar em 2014. Logo foi convocada por José Roberto Guimarães, treinador do Brasil, e mostrou estar em forma. Com ela a seleção brasileira foi campeã do Grand Prix e medalhista de bronze no Mundial. Entretanto, para a Superliga, estava sem clube, pois os maiores já haviam fechado elenco e completado a pontuação do ranking – contra o qual ela, em vão, lutou.

Pinheiros e Minas mostraram interesse em contratar Jaque em novembro de 2014, mas o clube paulista não conseguiu a verba necessária para isso. Já o Minas acertou com a Camponesa para bancá-la. A atleta não quis se adequar à folha salarial pinheirense.

O duelo de terça-feira foi também uma batalha dos dois que queriam tê-la no elenco. O Pinheiros, cuja torcida não é muito animada, foi novamente, assim como acontece quando ele joga contra o Osasco, quase um visitante em sua própria casa. O jogo provou que o poder comercial de Jaqueline é tão grande quanto sua habilidade em quadra. Ela é uma ponteira passadora de grande qualidade, algo raro no vôlei atual, tão raro quanto um meia com grande visão de jogo no futebol.

Jaqueline marcou o último ponto do quinto set (13/25, 25/22, 21/25, 25/17 e 15/10) e foi escolhida a melhor em quadra pela comissão técnica mineira. Rosamaria (Pinheiros) e Mari Paraíba (Minas), com 22 pontos, foram as maiores pontuadoras da partida.

O Pinheiros teve um choque de realidade. Viu que, apesar dos elogios em redes sociais depois da campanha na Copa Banco do Brasil, a torcida ainda liga mais para jogadoras consagradas que para times bem montados, mas pouco estrelados. Na primeira fase da Superliga, as pinheirenses continuam na quarta posição, e as mineiras estão na sexta.

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